Por ser um dos vírus que possui maior alcance, o HPV (Papilomavírus Humano) conseguiu se disseminar entre os seres humanos. Sua forma de transmissão, na maior parte das vezes, é por via sexual. Com isso, presume-se que, 80% da população sexualmente ativa, até os 45 anos de idade, terão, em algum momento no decorrer de sua vida, se contaminado com ele.

Uma infecção por HPV, na maioria das vezes, é eliminada pelo sistema imune sem causar nenhum sintoma. Porém, na minoria das vezes em que isso não ocorre, o HPV poderá provocar o aparecimento de verrugas genitais, diferentes tipos de câncer, como de pênis, colo de útero, ânus, vulva, garganta e boca.

(Imagem ilustrativa/Freepik)
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Vacina HPV

A camisinha é um tipo preventivo do HPV, mas também há vacina. O SUS oferece, de forma gratuita, a quadrivalente que protege contra os 4 tipos de vírus HPV mais comuns no Brasil. Ela atua estimulando a produção de anticorpos necessários para combater o vírus. 

Esta vacina é aplicada na forma de injeção. É oferecida para:

  • Meninas de 9 a 14 anos;
  • Meninos de 11 a 14 anos;
  • Meninas e mulheres de 9 a 45 anos, e meninos e homens de 9 a 26 anos, que tenham HIV ou AIDS, ou que receberam transplante de órgãos, de medula óssea e pessoas em tratamento contra o câncer. Nesses casos, é necessário a apresentação de receita médica.

A máxima proteção vacinal é obtida quando as doses são aplicadas antes de uma infecção por HPV. No entanto, a vacina não trata a infecção pelo HPV. Neste caso, o ideal seria fazer o tratamento do HPV indicado pelo médico.

Dose única 

Os dados divulgados em relatório da Sociedade Brasileira de Imunizações, desde 2013, quando a vacina contra HPV foi introduzida ao Programa Nacional de Imunizações, a meta de cobertura vacinal mínima só foi atingida pela primeira dose entre as meninas. 

Essa baixa revela uma impossibilidade na redução completamente satisfatória nos casos de câncer causados pelo HPV, sendo necessário vacinar, no mínimo, 4 em cada 10 meninos no Brasil. 

Porém, uma notícia na última semana foi a mudança nas recomendações da OMS sobre a vacinação contra HPV. Um grupo de especialistas em imunização do órgão concluiu que, em crianças, a vacinação com apenas uma dose, já é capaz de induzir uma proteção contra o HPV.

Por enquanto, no Brasil as recomendações ainda não mudaram. Mas com essa mudança, um mesmo lote de doses de vacina poderá imunizar o dobro de crianças, o que é especialmente interessante nos países mais pobres, justamente os mais acometidos pelos cânceres relacionados ao HPV.

Carolina Glogovchan

Colaboradora do Folha Geral - cada publicação é de responsabilidade da autora