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Diminui interesse por energia solar, diz pesquisa

Queda do preço no mercado livre de energia pode ter ajudado a reduzir a febre solar e aumentado a migração para o ambiente de livre contratação, comenta o consultor Ivo Pugnaloni

Ilustração. Foto: Pixabay

Um estudo sobre o mercado de energia solar da Greener consultoria, mostra que até o fim de 2019 o Brasil viveu verdadeira febre solar, motivada não apenas pela isenção de impostos sobre painéis e inversores importados, mas pela não incidência de tarifas e impostos sobre a energia gerada. A febre parecia ter tornado realidade, para o cidadão comum ou consumidor residencial, o velho sonho de libertar-se dos reajustes anuais das distribuidoras, que superaram em mais de 158 % a inflação nos últimos 25 anos.

Realizado com a participação de 2104 empresas integradoras, o estudo revela que a febre solar parece ter baixado de temperatura, pois 25% das empresas informou não ter efetuado nenhuma venda de janeiro a julho de 2020. Segundo a pesquisa, os interessados foram majoritariamente dos ramos de telecomunicação, farmácias, padarias, supermercados, bancos, academias e clínicas cabendo às indústrias essenciais apenas 8% das consultas.

Enquanto isso, no mesmo período, no setor industrial, dados da CCEE, que é a câmara de comercialização de energia, mostram que migrar para o mercado livre de energia foi a febre que andou de vento em popa e nos primeiros seis meses de 2020, aumentou em 43% o total acumulado deste tipo de consumidor desde 1998, algo inédito em tão curto espaço de tempo.

O engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, diretor da ENERCONS empresa de consultoria que realiza leilões privados para consumidores livres adquirirem energia e realizarem a migração, comenta sobre essas mudanças no mercado. “Com os consumidores industriais, para os quais investir em painéis solares exige quase 10 anos de “pay back” devido às suas tarifas 50% menores do que as dos consumidores residenciais, a significativa queda de 30 para 18 centavos no preço do quilowatt-hora nesse mercado, motivada pela queda no consumo e observada mesmo antes da pandemia, foi a maior razão para a migração. Mesmo as indústrias de pequeno e médio porte perceberam que fazendo um investimento negativo, ganhando dinheiro ao invés de gastar, poderiam reduzir de 20% a 30% os seus gastos com o insumo energético, sem nenhum custo de manutenção”, explicou.

“A preferência dos industriais pelo mercado livre pode ser explicada também por que essa solução era mais segura do que desembolsar em plena crise para esperar uma década pelo retorno do capital. E ainda ter que pagar a mesma tarifa cara quando nuvens, chuvas e trovoadas reduzissem a insolação, algo comum no sul e sudeste. Podem ter percebido que investindo centenas de milhares ou milhões de reais nos painéis e assinado os contratos de financiamento e de compensação solar com a distribuidora, eles estariam ainda mais presos à concessionária e não livres, como apregoado. E impedidos de migrar para o ambiente livre quando então poderia fazer com a economia alcançada um investimento em geração solar. Mas isso, quando os custos de instalação e manutenção estiverem menores e o ambiente regulatório e tributário mais consolidado. Pelo menos tão consolidado quanto o do mercado livre de energia, que já completou 22 anos”, agregou o consultor, que foi presidente da Copel Distribuição e da ABRAPCH, associação brasileira das pequenas hidrelétricas.

“Já entre os consumidores residenciais, que pagam mais de um real por megawatt-hora, a redução nas vendas já vinha de antes da pandemia, motivada pela discussão judicial de impostos e tarifas de transporte da energia gerada. Pode refletir um amadurecimento do mercado, já que a pesquisa da Greener mostra desde 2017 significativa queda nas vendas para interessados com mais de 50 anos, geralmente mais cautelosos e conservadores.”, conclui.

Da Redação, com agência*

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