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1988 x 2000: por que a reprise de Vale Tudo é mais do que atual?

Conheça um pouco mais a novela que marcou gerações e ainda levanta discussões extremamentes atuais sobre a sociedade brasileira

Um dos grandes sucessos da televisão brasileira, a novela “Vale Tudo” já foi exibida em mais de 30 países e ficou marcada para sempre na lembrança dos espectadores. Além disso, essa obra-prima da teledramaturgia também já foi reprisada aqui no Brasil três vezes, desde que foi lançada em 1988 e sempre volta a tona, quando pensamos em novelas históricas e que marcaram época.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Além disso, “Vale Tudo” foi lançada em DVD e atualmente se encontra disponível na plataforma de streaming Globoplay. O tamanho sucesso e repercussão da trama se deve não só aos ótimos atores, mas principalmente a história contada. Escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères a atualidade do enredo impressiona.

Apesar de ter sido escrita como um retrato da sociedade brasileira da época – final dos anos 80 e processo de redemocratização – “Vale Tudo” é um daqueles casos de obras atemporais. A divulgação recente de mais uma reprise da novela apenas reacendeu o debate que ainda perdura na sociedade brasileira.

A trama

Exibida de 16 de maio de 1988 até 16 de janeiro de 1989, “Vale Tudo” parou o Brasil. A novela escrita a seis mãos escancarou uma sociedade que muitos preferiam não ver. Pelas palavras do próprio Gilberto Braga, sua intenção com a história era: “vale a pena você ser honesto num país onde todo mundo é desonesto?”.

Para fomentar esse debate, a trama foi desenvolvida em cima da relação conflituosa entre Maria de Fátima (interpretada por Glória Pires) e sua mãe, Raquel Accioli (interpretada por Regina Duarte).

Enquanto Maria de Fátima faz de tudo para se tornar rica, Raquel é a personificação da honestidade, completamente o oposto da filha. O debate que rege a história, mesmo após 32 anos, é extremamente atual na sociedade brasileira. Ao observarmos o cenário político atual o questionamento que vem à cabeça é: vale a pena se manter no caminho da honestidade em meio a um Brasil afogado em corrupção?

A classe alta personificada em Odete Roitman

Além de Fátima e Raquel, outra personagem que marcou o imaginário dos brasileiros para sempre foi a magnata Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall. A vilã foi criada como crítica profunda à alta sociedade brasileira e se tornou uma caricatura dessa classe social.

Odete, recém chegada de Paris, detestava o Brasil e não perdia uma oportunidade de reclamar do país. A personagem caricata era preconceituosa ao extremo, o que apenas reforçava ainda mais o estereótipo da classe alta naquela época.

Ao retornar às terras brasileiras por conta dos negócios da sua empresa de aviação, não via a hora de viajar para o velho continente e por lá ficar.

A empresa TCA era do setor de aviação e se encontrava afundada em problemas, demandando o retorno imediato de Odete Roitman. Apesar de não tratar sobre questões sobre previdência corporativa, a trama que envolve a companhia é muito interessante e retrata bem como ocorriam as relações corporativas da época.

Debate ainda atual

Hoje em dia, diante do debate ainda atual proposto pelos autores de “Vale Tudo”, infelizmente é possível identificar algumas figuras como Odete Roitman e Maria de Fátima na nossa sociedade e principalmente na política.

Apesar da presença atenuante de Raquel no meio de tanta podridão, só ela não foi suficiente para fazer a diferença na história.

Ao longo do desenrolar da trama, percebemos uma característica que perdura na sociedade brasileira até os dias de hoje: nem todo mundo é de todo mau, e nem todo mundo é sempre bom.

Como exemplo, alguns personagens da trama que iniciaram em papéis de “bonzinhos” encontram algum desvio pelo caminho e acabam caindo em algum tipo de tentação.

Com o caso do personagem Ivan, interpretado por Antônio Fagundes, que encontra uma mala cheia de dinheiro e pensa em ficar com ela, vemos aí o retrato da sociedade brasileira como ela é.

Todos os dias, as mesmas pessoas que reclamam da corrupção na política praticam micro-corrupções dentro da sua rotina, sem se dar conta que esse sentimento já está enraizado.

Assim, além de apontar o dedo para a classe alta, preconceituosa, arrogante e corrupta, os autores da novela se voltam contra a população, que também pratica corrupção em diferentes níveis no dia a dia.

Infelizmente, o que vimos em 1988 nada mais é do que um retrato da sociedade atual e, enquanto nenhum dos lados compreender sua parcela de culpa, o debate proposto por “Vale Tudo” ainda será válido.

*Conteúdo colaborativo para o Folha Geral

Da Redação, com colaboração*

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(Imagem: Folha Geral/Divulgação)

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