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A imigração ucraniana no Brasil

A comunidade ucraniana do país, instalada em sua grande maioria na região sul, teme pela sobrevivência dos parentes e da terra natal

Manifestação em Nova Iorque contra a Guerra na Ucrânia (Foto: Katie Godowski/Pexels)

O mundo observa os conflitos na Ucrânia com grande apreensão, mas para os descendentes ucranianos que moram em outros países, o problema toca mais profundamente – é pessoal.

Há alguns meses, líderes mundiais já alertavam sobre um possível ataque da Rússia sobre a Ucrânia. Foi no dia 24 de fevereiro que essa suspeita foi concretizada, quando o presidente russo Vladimir Putin ordenou o início de ataques militares.

Com soldados cercando quase todos os lados do país, as tropas com milhares de soldados cercaram importantes regiões, como Kiev, a capital, e Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana. Logo no primeiro dia, mísseis mataram centenas de pessoas, inclusive crianças.

Explosões atingiram prédios, hospitais, uma estação ferroviária, um gasoduto, uma torre de TV, entre locais.

Atualmente, mais de 1,5 milhão de ucranianos já deixaram o país. O destino principal é a Polônia. Do início da guerra até o dia 6 de março, mais de 922 mil pessoas já tinham atravessado a fronteira polonesa.

Imigração ucraniana no Brasil

A maior comunidade ucraniana no Brasil fica na cidade de Prudentópolis, no Paraná. Dados da prefeitura afirmam que mais de 75% dos 50 mil habitantes do município são descendentes de imigrantes vindos da Ucrânia.

A origem disso se dá no final do século XIX, quando cerca de 1500 famílias ucranianas chegaram na região.

Na época, a Europa passava por um momento econômico muito complicado. A própria região da Ucrânia já era vítima de tensões políticas e militares, o que fez com que muitas pessoas partissem para a América do Sul na tentativa de encontrar um futuro melhor.

Em Prudentópolis, os imigrantes se tornaram agricultores, pecuaristas e industriais. Dentro os itens de produção, destaca-se o mel, a erva-mate e o feijão preto.

Ao chegarem ao Brasil, os ucranianos se apegaram ainda mais ao catolicismo. Construíram, em média, 100 igrejas pela cidade, com padres trazidos diretamente da Ucrânia. Por causa disso, é conhecida como a “capital da oração”.

Embora Prudentópolis tenha a maior concentração de ucranianos em território brasileiro, há cerca de 600 mil descendentes no país, especialmente no sul. 81% são do Paraná, enquanto os demais são encontrados em Santa Catarina, Porto Alegre e também em São Caetano do Sul, em São Paulo.

Muitos descendentes nunca visitaram a Ucrânia, mas se mantêm conectados ao país pela preservação cultural mantida pelos mais velhos.

Em Prudentópolis, há vários grupos de dança e folclore. Festas com artesanato tradicional e pratos típicos são celebradas regularmente. Mas acima de tudo, as raízes ucranianas continuam vivas no Brasil por causa da língua.

É muito comum caminhar pelas ruas de Prudentópolis e se deparar com pessoas conversando em ucraniano. Em 2021, um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal estabeleceu o idioma como o co-oficial da cidade, atrás do português.

Manifestação em Nova Iorque contra a Guerra na Ucrânia (Foto: Katie Godowski/Pexels)
Manifestação em Nova Iorque contra a Guerra na Ucrânia (Foto: Katie Godowski/Pexels)

Resistência em meio à guerra

Muitos cidadãos ucranianos, mesmo com o avanço dos soldados russos, ainda se recusam a deixar o país. Eles lutam bravamente contra tanques e munições pesadas. Suas armas são barricadas de aço, coquetéis molotov e estratégias para confundir as tropas inimigas.

Os descendentes fazem o que podem de longe. Organizam passeatas e protestos nas principais capitais do mundo, geralmente na frente de embaixadas russas. Nos Estados Unidos, um grupo se reuniu na frente da Casa Branca para pressionar o presidente Joe Biden a tomar atitudes mais assertivas.

No Brasil, os descendentes buscam notícias de seus parentes e fazem o possível para tirá-los da zona de confronto. Muito apegados à religiosidade, também organizam grupos de oração para pedir por proteção e paz.

No começo de fevereiro, Jair Bolsonaro foi para a Rússia em uma viagem programada de fins diplomáticos. Diante disso, Vitório Sorotiuk, o presidente da Representação Central da Comunidade Ucraniana no Brasil, protocolou uma carta ao governo federal pedindo uma visita também à Ucrânia.

Afirmou que é compreensível que o Brasil tente estabelecer relações econômicas com outros países. Diante de um momento tão delicado, no entanto, disse que seria necessário que Bolsonaro também pisasse em solo ucraniano para que sua ligação com Putin não fosse confundida como um gesto de apoio brasileiro às ações russas.

Imigração ao Brasil

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a crise de refugiados da Ucrânia é a mais rápida da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Por ser o país mais próximo, a Polônia é o destino principal de quem está fugindo do conflito. Hungria, Moldova, Eslováquia, Romênia, Belarus e até mesmo a Rússia também são destinos procurados.

Os brasileiros que moram na Ucrânia seguem para os mesmos países para que consigam retornar ao Brasil.

Alguns grupos de ajuda humanitária organizados por brasileiros com residência na Europa fazem o possível para ajudar. Os voluntários usam as redes sociais para localizar quem precisa de resgate e fazem a busca perto das fronteiras.

Já outros estão sob responsabilidade do Ministério de Relações Exteriores do Brasil. O Itamaraty providencia todo o necessário para trazer os cidadãos de volta à terra natal.

Em situações como essa, é necessário ter todos os documentos em mãos, tanto os brasileiros quanto os ucranianos, para que seja possível entrar e sair de uma nação para a outra.

A tradução juramentada desses documentos pode ser solicitada. Como cada país tem suas próprias leis, as burocracias também têm denominações e funcionamentos diferentes.

Essa conversão oficializa todos os processos de imigração não somente em situações emergenciais como essa, mas em todos os casos de visita e residência em diferentes partes do mundo.

Documentos já traduzidos otimizam o processo, fazendo com que os brasileiros e outros possíveis imigrantes consigam chegar ao Brasil com mais rapidez.

*Colaborou Larissa Gonçalves

(Foto: Divulgação/Aiba)

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