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Sonambulismo na infância

(Imagem ilustrativa/Freepik)
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O sonambulismo é um transtorno de sono onde, na sua fase mais profunda, a criança faz movimentos e assume comportamentos como se estivesse acordada, mas, na realidade, encontra-se em sono profundo, dormindo. Sabemos que as fases do sono, na infância, ainda estão em processo de maturação e, em algumas delas, podem ser anormais e cursarem com instabilidades e comportamentos estranhos.

Na maioria dos casos, o sonambulismo começa na infância, persiste até adolescência e pode chegar na fase adulta. As manifestações do sonambulismo são diversas, como: fazer xixi no chão, abrir a porta e sair, ir à cozinha, abrir e mexer nas gavetas e geladeira, andar pelos corredores, falar e conversar, entre outros. Costuma ter um histórico familiar, com predisposição genética e pode se associar a transtornos de neurodesenvolvimento e outros distúrbios neurológicos.

O que preocupa é que os episódios são estressantes para os pais e geram muita ansiedade por causa do risco de acidente. O que os pais ou cuidadores devem fazer em um episódio de sonambulismo é proteger a criança e levá-la para o quarto, falar baixo e delicadamente com ela. Evite acordá-la e a mantenha tranquila. Não há um tratamento eficaz e o mais adequado é evitar os fatores que desencadeiam os casos.

O que se recomenda para pessoas sonâmbulas é regular e estabilizar os horários de sono criando uma rotina para a criança dormir, evitar uso de medicamentos e de alimentos estimulantes e não agitar nem excitar a criança ao final do dia. Alguns cuidados importantes que se deve ter em casa são evitar objetos cortantes à altura, retirar móveis que bloqueiem os corredores, colocar portões nas escadas e fechar com chave as portas e travessas da casa, cercar piscinas e evitar colocá-la para dormir em beliches.

Em relação ao tratamento, em casos mais intensos e severos, pode-se utilizar medicamentos para ajudar a regularizar o sono da criança. Apesar de não ter cura, existem meios manejo, controle e a perspectiva que o distúrbio tende a desaparecer com o tempo na maioria dos casos. Caso seu filho tenha algum episódio de sonambulismo, procure o especialista.

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A comunicação clara e o sucesso da empresa

Uma das atitudes mais importantes que um líder deve ter é saber como motivar sua equipe. Para isso acontecer, é de extrema importância que a comunicação na empresa seja clara, assim, pode-se evitar erros futuros.

Lembre-se: para sua equipe dar certo a comunicação deve ser clara, concisa e objetiva. Explique aos seus colaboradores o que se espera deles naquele projeto. Deixe claro, de maneira simples e eficiente, para que entendam o que deseja ser feito dentro do prazo estipulado.

Outro ponto que vale ser mencionado é que, quando as tarefas estão organizadas, consegue-se otimizar tempo. Assim, aproveita mais o seu dia com a sua família, na empresa e até com você. Uma boa estratégia com objetivos claros, em relação à organização e comunicação, poupa tempo e faz com que a equipe entregue o que foi pedido evitando erros.

É importante ter em mente que você tem de acreditar no que faz, no que e como o seu serviço pode proporcionar e contagiar as pessoas que estão à sua volta. Não adianta tentar vender aquilo que não acredita, porque não vai ser algo verdadeiro, autêntico – e as pessoas vão notar. Faça o seu projeto, o seu negócio, sua empresa, o seu produto ou serviço serem únicos para você e, com isso, todos acreditaram nele. Faça tudo bem-feito!

Tenha sempre em mente que uma boa comunicação é a chave para tudo. Se o destinatário não entendeu a mensagem, foi porque o remetente não se fez claro. Aprenda a se comunicar de forma eficiente para liderar sua equipe e atingir os melhores resultados!

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A positividade tóxica pode afetar a saúde mental?

Você sabe diferenciar positividade tóxica e otimismo? É muito comum que elas sejam confundidas, porém são muito diferentes. A positividade tóxica é uma negação daquilo que está acontecendo ou até mesmo de como estou me sentindo naquele momento.  Não é o que está sentindo, mas algo imposto. O otimismo é ver o lado bom em cada situação, mesmo em situações difíceis. Nesse caso, você não nega o que sente.

A positividade tóxica pode trazer malefícios, além de afetar a saúde mental. Como a pessoa não consegue expor as emoções, ela acaba engolindo o discurso das falas positivas e abafando o que sente. Suprimir os sentimentos negativos, seja em nós mesmos ou no outro, não faz bem. Nossos sentimentos precisam ser validados e acolhidos, não negados. Em situações de estresse, tristeza ou inconformidade, permita-se sentir.

Evite usar frases e procure filtrar o que ouve para que não seja afetado por falas de positividade tóxica. Fala otimista usam expressões, como, por exemplo, “eu entendo a sua dor e o que eu posso fazer para te ajudar?”; “estou aqui para te ouvir, estou aqui para te ajudar”. São falas para auxiliar, para ajudar a trazer uma solução adequada e leve para a situação.

Já as frases positivas tóxicas estão em frases, como: “você não está sentindo isso”, “está exagerando”, “não vale a pena falar sobre isso, porque isso sempre aconteceu assim e não vai ser você que vai mudar isso”. São expressões que diminuem o que a pessoa está sentindo.

É importante se autoconhecer e entender seus limites para que a fala do outro não se torne um regulador de sentimentos. Ao se guiar pelo outro, você anula seu sentimento e com isso acaba somatizando.

Devemos estar atentos com nossas falas para não prejudicar ou diminuir o sentimento do outro. Lembre-se que a positividade tóxica abafa e nega os sentimentos, diminui o que se está sentindo e temos que tomar cuidado para não fazer isso.

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Quando a única opção é reinventar-se! O que faço?

Margarete Chinaglia*

Tudo na vida se resume às escolhas que fazemos. Por exemplo, com 58 anos, uma carreira sólida na área da saúde, faltando pouco tempo para aposentadoria, surgiu uma oportunidade de escolha de vida que ia contra todas as minhas circunstâncias profissionais: mudei de estado, cidade, deixei um cargo alto e muitos anos de empresa. Isto tudo no início de uma pandemia.

Escolhas mexem com você, mas também com quem está a sua volta. Muitos comentavam, “você é louca, como vai fazer?”. Naquele momento, não imaginava que encontraria dificuldade para me recolocar no mercado de trabalho. Afinal, eram quase trinta anos ininterruptos trabalhando.

Ledo engano! Enfrentei muitas tentativas frustradas, erros, ajustes, centenas de currículos enviados e muito poucas entrevistas. Cheguei a pensar que minha carreira não era tão sólida assim, mas logo vi que não era eu, mas, sim, um preconceito velado contra minha idade. Foi quando conheci o etarismo.

Quando meu perfil era aderente a vaga e chegava até a entrevista, recebia aquele comentário: “não vi aqui no seu currículo a sua idade. Qual é?” Depois da resposta, vinha a fase do silêncio total junto com a ausência de feedback e a sensação de invisibilidade. Situação rotineira e chocante!

Busquei forças e fui à luta. Enxerguei que não era somente comigo. Coloquei em prática o networking e vi excelentes profissionais vivendo e passando por momentos difíceis no desemprego, até que encontrei um caminho através de um mentoramento de coaching, divisor de águas na minha carreira.

Passei por um empoderamento de mim mesma, localizei uma capacidade escondida que colocou meu medo no lugar dele, um passo atrás do meu caminhar. Pratiquei o autoconhecimento por meio deste processo, o que propiciou fazer uma transição de carreira. Consegui me reinventar e descobri habilidades adquiridas com a experiência profissional, mas que estavam adormecidas.

Abracei a oportunidade, me encontrei para ser encontrada! Hoje, coloco em prática o que eu mais gosto de fazer: ajudar profissionais a se encontrarem e se desenvolverem através do autoconhecimento, segurança e confiança. Quando sempre buscamos nos aperfeiçoar, atingimos a excelência. Portanto, confie na sua capacidade, enfrente seus medos e faça o seu melhor.

(*) Margarete Chinaglia é Consultora e Coach de Carreira, palestrante sobre Diversidade e Inclusão Etária, Qualidade, além de ser especialista e pesquisadora sobre TDAH- Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Linkedin: https://www.linkedin.com/in/margarete-chinaglia/

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Matemática: como tornar a numeracia divertida?

*Psicopedagoga Luciana Brites

Os primeiros anos de uma criança são um período de aprendizado e desenvolvimento. Nessa época, é comum que elas não gostem de matemática, que achem uma matéria chata e, muitas vezes, recusam-se a fazer algumas atividades. Para começar a desenvolver o interesse, podemos usar a numeracia.

Numeracia é o conhecimento e as habilidades que as crianças precisam para usar a matemática em várias situações. É a capacidade de raciocinar e aplicar conceitos numéricos simples e consiste em compreender aritmética fundamental como adição, subtração, multiplicação e divisão. É uma competência importante, pois bebês e crianças pequenas podem reconhecer números, padrões e formas. Eles usam conceitos matemáticos para dar sentido a seu mundo e conectar isso com práticas cotidianas.

Quando avançam as séries escolares, as crianças são expostas à numeracia através de entendimento, fluência, solução de problemas e raciocínio. Esses recursos permitem que elas respondam a situações familiares e desconhecidas, empregando essa habilidade para tomar decisões e resolver problemas.

O aprendizado de numeracia pode parecer chato pela falta de ludicidade. Então, é fundamental que o aprendizado seja baseado em brincadeiras. Isso motiva as crianças a aprenderem mais.

Uma forma de ensinar é utilizando números com massinha. Você irá precisar de massinha de modelar colorida, números impressos em tamanho grande plastificados e faca de plástico sem serra. Entregue para as crianças as folhas com os números de 0 até 9 e a massinha. Ela vai fazer uma ‘cobrinha’ com a massinha e depois vai contornar o número. Nesta atividade, estimula-se a consciência espacial, experimentando com a forma e o espaço, a coordenação de olhos e mãos, desenvolvimento motor fino e o reconhecimento dos números.

Outra brincadeira é contando com o Dominó. Trata-se de um ótimo recurso de aprendizado e um excelente manipulador para melhorar o senso numérico e as habilidades matemáticas. Você irá precisar de um jogo de dominó e vários botões. Tem duas formas de usar o dominó para a numeracia. A primeira é distribuir as peças, pedir que as crianças escolham uma e contem quantas bolinhas têm nessa peça.

Reforce a contagem usando botões. Outra forma é somando. A criança irá escolher duas ou mais peças e contar quantas bolinhas têm no total. Para essa atividade, os botões podem ajudar mais, separando-os por peças e depois somando-os.

Essa atividade estimula o aprendizado e o desenvolvimento das habilidades de numeracia como reconhecimento de números, medição, contagem, adição e padrões. Também ajuda com a solução de problemas, desenvolvimento sensorial – mãos em ferramentas de manipulação, habilidades motoras finas, coordenação de mãos e olhos e desenvolvimento da linguagem.

(*) CEO do Instituto NeuroSaber (www.neurosaber.com.br), Luciana Brites é autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem, palestrante, especialista em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UniFil Londrina e em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação ISPE-GAE São Paulo, além de ser Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie.

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Não deixe o medo da mudança te paralisar

*Psicóloga Alessandra Augusto

(Imagem ilustrativa/Freepik)

Muitas pessoas não gostam de mudanças, pois as obrigam a sair da zona de conforto. Neste lugar, tudo funciona. Os pensamentos e comportamentos não provocam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco.

Mudar é modificar. Isso se aplica à mudança de escola, de trabalho e de qualquer ambiente familiar para outro que seja desconhecido. No entanto, estamos nesta vida para viver inúmeras experiências. Todas elas têm começo, meio e fim.

Muitas vezes não saímos da zona de conforto por medo do desafio. Somos incentivados desde pequenos a ganhar. Temos uma comemoração excessiva quando temos bons resultados. Às vezes, por medo de não obter uma vitória, a pessoa não se lança aos novos desafios. O medo tira a capacidade da proatividade da audácia e com isso gera a autossabotagem em relação a novas experiências.

Esse medo paralisante aparece mais na idade adulta. Por exemplo, a infância e a adolescência são momentos de viver as experiências. Costumamos até dizer que os mais jovens são mais audaciosos, porque eles trazem esse incentivo de ganhar de forma mais intensa. Porém, quando se entra em contato com a realidade e percebe que nem sempre vai ser vitorioso, percebe que nem sempre irá obter o resultado esperado.

Para se lançar em novas experiências é preciso conhecer as próprias competências, saber as habilidades que possui. O autoconhecimento é muito importante nessa hora. Mas caso perceba que não consegue fazer algo sozinho, procure um profissional de saúde mental para ajudar a entender suas habilidades e talentos. A partir do momento que a pessoa conhece melhor a si mesmo, descobre o seu potencial e aumenta a autoconfiança, além de diminuir o medo do novo.

Quando o medo é superado e a zona de conforto abandonada, há a sensação de bem-estar, além de melhorar a autoestima e o amor próprio.

Outro fator importante é a proatividade. Essa é uma habilidade que nos impulsiona para sair da zona de conforto e nos empurra na direção das mudanças. Há momentos na vida que sentimos a necessidade de nos “mover”, de fazer algo diferente. Quem para no conhecimento e no aprendizado fica estagnado e acaba parando para a vida. O indivíduo que deixa de sonhar acaba morrendo para a vida.

Mas como ajudar quem enfrenta esse tipo de medo? A família e os amigos podem comentar sobre a admiração que tem pela pessoa, reforçando atitudes positivas, fazendo elogios e incentivando novos planos. Sendo alguém visionário ou fantasiosa, não importa. Deve-se sempre incentivar. Muitos sonhos vieram através de uma mudança, trouxeram bons resultados e se tornaram um sucesso. Dê sempre uma palavra de incentivo e reforce. A pessoa que está buscando realizar algo precisa de palavras positivas. Mas é importante que saiba que caso não dê certo, ela tem com quem contar.

(*) Alessandra Augusto é formada em Psicologia, Palestrante, Pós-Graduada em Terapia Sistêmica e Pós-Graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia. É a autora do capítulo “Como um familiar ou amigo pode ajudar?” do livro “É possível sonhar. O Câncer não é maior que você.

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5 fatores essenciais na gestão integrada no varejo

Por Ricardo Fiovaranti*

Empreender no Brasil não é fácil, isso já sabemos bem. A burocracia, as obrigações e as dificuldades são obstáculos que dificultam a veia empreendedora do brasileiro. Entretanto, quem deseja se estabelecer no setor varejista precisa saber que as barreiras são ainda maiores. Margem curta, intensa competitividade e questões operacionais, como a logística, afastam até mesmo os mais preparados.

Entretanto, há situações que o próprio gestor pode melhorar para facilitar o dia a dia do negócio. A mais importante delas diz respeito à própria gestão. Quanto mais ela estiver integrada, melhor será o trabalho realizado pela empresa. Essa integração precisa ser feita tanto entre os departamentos quanto entre as necessárias soluções tecnológicas que automatizam tarefas. Mas qual é a sua real importância? Confira:

1 – Visão completa do negócio

Sem dúvida a principal vantagem da gestão integrada no varejo é a possibilidade de obter uma visão completa de todos os processos e a operação do negócio. Diante da infinidade de soluções disponíveis, que normalmente resolvem parte do problema, os gestores têm dificuldade de enxergar o todo. Por isso, integrar esses sistemas, estabelecendo uma espécie de hub por onde os dados serão centralizados, é uma alternativa interessante para conseguir ir além de cada funcionalidade.

2 – Análises mais rápidas

Quando a gestão é integrada, ou seja, tudo está alinhado e funcionando perfeitamente com suas respectivas tarefas, as análises são mais rápidas. Afinal, os dados podem “circular” livremente entre as soluções, coletando e cruzando as informações mais importantes para o dia a dia do varejo. Dessa forma, é possível automatizar todo esse procedimento, obtendo insights valiosos em um único dashboard e conseguindo agilizar a tomada de decisão independentemente da situação enfrentada pelo negócio.

3 – Inteligência na gestão

Os insights ficam disponíveis mais rapidamente e com mais qualidade. Uma gestão em que todas as ferramentas conversem entre si é capaz de entregar informações melhores, no sentido de que correspondem à realidade do negócio. Com esses relatórios em mãos em tempo real, é possível tomar decisões inteligentes na gestão, identificando pontos de melhoria e necessidade de maior atenção em cada área ou departamento. Em tempos de instabilidade, trata-se de uma medida necessária para ganhar eficiência operacional.

4 – Definição do que é importante

Um dos erros mais comuns do varejo brasileiro é não definir quais informações, análises e insights são mais importantes para o sucesso do seu negócio. A grande maioria pensa que basta ter acesso a uma grande quantidade de dados para melhorar seus processos e, consequentemente, a gestão como um todo. Na verdade, é o caminho inverso: apenas quando tudo está integrado e operando de forma conjunta é possível definir quais indicadores são mais importantes para o gestor trabalhar de acordo com seus objetivos a curto, médio e longo prazo.

5 – Descoberta de novos indicadores e objetivos

O contrário também é válido: uma gestão integrada permite expandir ou até redefinir os objetivos do varejo diante de novas informações que ele pode ter em mãos. Infelizmente ainda é comum no ramo varejista, até mesmo entre grandes redes, que a tomada de decisão se baseie apenas na experiência e no feeling do dono ou do profissional responsável. Hoje já é possível ter acesso a vários dados que antes eram restritos ao ambiente on-line, permitindo relatórios mais completos e com mais possibilidades do que há alguns anos.

*Ricardo Fiovaranti é CEO da FX Data Intelligence, empresa especialista em visão computacional dirigida por IA fornecendo insights estratégicos para o varejo – e-mail: fx@nbpress.com

*O conteúdo é de inteira responsabilidade do autor e não representa a opinião do Folha Geral

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Vida financeira em 2022: Como ajustar?

Por Charys Oliveira*

Os dois últimos anos foram especialmente difíceis por causa dos efeitos da crise sanitária/econômica que assolou não só o Brasil, mas o mundo inteiro. O impacto nas finanças dos brasileiros foi grande. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada em janeiro pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o ano de 2021 registrou média de 70,9% das famílias brasileiras endividadas, ou seja, a maioria absoluta da população iniciou 2022 com algum tipo de dívida que compromete o orçamento.

Até havia uma esperança de melhora do cenário econômico ainda neste ano. E a justificativa para esse “otimismo” estava no alto índice de vacinação dos brasileiros contra a covid-19. Com cerca de 80% da população imunizada, acredita-se ser seguro voltar à normalidade pré-pandemia, o que resultará na geração de mais empregos e, consequentemente, de renda, contribuindo para a redução do endividamento.

Mas não é tão simples assim. Como se não bastassem os problemas já existentes, a instabilidade política e os conflitos internacionais já estão afetando os preços do petróleo, de insumos para a agroindústria e de alimentos em geral. O impacto disso será mundial, e o nosso país não será poupado. Assim, a escalada da inflação, o aumento das taxas de juros e o desemprego serão os principais obstáculos para aqueles que lutam para sair da situação de inadimplência.

E quem não está nessa situação tem de tomar muito cuidado para não entrar nela. Em um cenário de perda do poder de compra, é comum famílias, na tentativa de manter o padrão de vida a que estavam acostumadas, acabarem nas mesas de negociação de bancos, financeiras e redes de varejo. Não por acaso, a avaliação da CNC para o alto índice de inadimplência é de que essas famílias recorreram mais ao crédito para sustentar seus níveis de consumo.

Mas como sair do endividamento em um momento tão adverso como este? Essa é a pergunta que muitos têm feito. Os grandes desafios são o planejamento financeiro e a mudança dos hábitos de consumo. Sem planejar os gastos considerando a renda familiar, a tendência é sempre comprar mais do que devia. E aí entra o fator consumo por impulso, extremamente maléfico para o bolso de qualquer pessoa.

E um bom planejamento financeiro exige, pelo menos, uma noção dos efeitos que fatores como inflação, aumento do dólar, aumento da taxa de juros têm sobre a renda. Está aí um outro desafio: ter consciência da diminuição do poder de compra. Para manter o consumo, muitos recorrem ao crédito; porém, com a taxa de juros mais alta, o consumidor pagará um preço muito maior pelo produto adquirido, o que também contribui para a corrosão de seus ganhos. A insistência em manter o padrão pode levar à inadimplência.

O melhor a se fazer, como já foi dito, é planejar as finanças e ser comedido nas compras, evitando supérfluos. A dificuldade de fazer isso está em tomar a iniciativa. A maioria nem sabe por onde começar. Então vão aqui algumas dicas, que valem para todos, mas principalmente para aqueles que estão entre os mais de 70% citados na pesquisa da CNC.

A primeira tarefa é colocar em um papel ou em uma planilha de cálculo todas as dívidas existentes. Organize por valor total de cada uma e também por custo efetivo total (CET), que é formado por todas as taxas, mais os juros, embutidos no empréstimo. Em certas situações, se livrar de uma dívida com CET elevado, mesmo que não seja a maior da lista, é o melhor.

Com essa lista, analise os motivos que culminaram na formação de cada dívida – que fazem sentido e quais foram resultado de compra por impulso – e o peso delas no orçamento doméstico. Tomar consciência dos motivos que levam ao endividamento é fundamental para não repetir o erro. Depois, o melhor é negociar com os credores.

A partir daí, acostume-se a manter mapeados todos os seus custos fixos como aluguel, condomínio, mensalidades escolares, água, luz, gás, entre outros. Assim você saberá quanto sobra para gastos com lazer e poderá se planejar para evitar excessos. Esta é a fase em que começa a reorganização das contas pessoais e familiares. E se o resultado desse controle for uma contenção grande do consumo, muito acima do ideal, o melhor a se fazer é buscar uma renda extra.

Quando a situação estiver sanada e começar a sobrar algum dinheiro, é o momento de poupar para gerar uma reserva de emergência – aquele dinheiro para ser usado apenas em momentos de dificuldade. O ideal é que ela seja equivalente a, no mínimo, seis meses de salário. Assim, em uma situação de desemprego, haverá recursos para manter os gastos até que se consiga a recolocação profissional. Essa reserva também pode ser útil em casos de doenças ou imprevistos.

Ninguém quer passar por situações difíceis como a inadimplência. Mas esses momentos nos trazem lições, e uma delas é que devemos nos preocupar com nossa educação financeira. Aprender a gerir o próprio dinheiro é de suma importância para uma vida com menos percalços. Ela pode ser uma aliada para empoderar e melhorar a relação do indivíduo com o dinheiro. Assim, os desafios de ajustar a vida financeira ficam mais fácil de serem superados.

*O conteúdo é de inteira responsabilidade da autora e não representa a opinião do Folha Geral

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As mentiras mais contadas por profissionais na internet e em entrevista de emprego

Por *Kelly Stak

Mentira em entrevista de emprego e em perfis profissionais de redes sociais de networking é mais comum do que se imagina. As inverdades mais conhecidas são: dizer que o inglês é intermediário, sendo que não fala ou não escreve o idioma de fato; inventar um motivo falso para demissão do emprego anterior; ou informar, que domina programas como o Excel ou determinadas funções de informática, quando na verdade não domina. Outros, vão mais a fundo ao mentir, e chegam a dizer que possuem formação universitária e até usam o logo da instituição educacional no perfil online, mas não fizeram ou não terminaram a faculdade.

E o pior, é que a mentira pode alcançar extremos como recentemente a imprensa noticiou sobre um homem, que se passou por médico em uma importante instituição de saúde e na realidade ele era apenas um socorrista. Depois de algumas investigações, foram descobertas inúmeras outras mentiras envolvendo a mesma pessoa.

Esse caso mostra o extremo, de como a falsidade ideológica, pode levar uma pessoa a situações absurdas. Não é exatamente o que quero abordar neste artigo, mas é uma boa maneira de demonstrar o quanto a mentira é danosa, pode começar em pequenas atitudes cotidianas e virar uma mitomania, ou seja, uma patologia associada a transtornos e perturbações psicológicas, que necessitam de um tratamento médico especifico.

Currículo ‘fake’

Normalmente as pessoas gastam mais tempo mentindo do que relatando as suas reais capacidades profissionais. Na hora de redigir o currículo, elas se esquecem das coisas que realmente são relevantes — como, qual é o seu objetivo profissional, suas reais certificações, formações e registros profissionais anteriores —, focando na lista daquilo que “acham” que sabem fazer, algumas delas com conhecimento e vivência rasa.

As invenções dos candidatos a uma vaga profissional são criadas com objetivo de passar para a próxima etapa do processo de seleção e, logicamente, ser contratado. Porém, na hora da entrevista, muitos se contradizem com questões que estavam no currículo, mas não eram totalmente verdadeiras — como, quando o inglês do nível básico vem disfarçado de intermediário, o intermediário de avançado, e o avançado de fluente, entre outras.

Mentir, que tem uma formação universitária ou uma MBA, é algo sério, pois, ainda que imagine não precisar totalmente deste conhecimento adquirido em sala de aula, em algum momento estas noções específicas terão que ser demonstradas. Normalmente quem age assim “acha” que é autossuficiente profissionalmente e tem conhecimento satisfatório. Mas, na prática a mentira acaba sendo descoberta e haverá frustração e ‘saia justa’ podendo acabar mal, com baixo desempenho no trabalho, resultados profissionais medíocres, demissão por justa causa devido as inverdades contadas e ficar com uma fama ruim no mercado de atuação.

Além disso, levar tempo inventando mentiras e desculpas, gasta muita energia, pois, precisará estar em alerta, vigiando e criando estratégias para que essas inverdades não sejam descobertas. O melhor é utilizar essa energia no que realmente interessa, como fazer cursos, treinamentos e até mesmo se esforçar para ser excelente em sua função profissional.

Recrutadores atentos as mentiras

Um dos motivos mais recorrentes do recrutador não se atentar as mentiras contadas por um candidato é a pressa em cobrir uma vaga, reduzindo os processos e as etapas da seleção. Hoje existem ferramentas que auxiliam na detecção de inverdades, além de provas, testes e perguntas.

É necessário tomar muito cuidado com processos seletivos rasos, que não se aprofundam nas verificações das competências e comportamentos.  Nos exemplos clássicos do Excel e do inglês, por exemplo, é muito importante um teste prático para avaliar a habilidade do candidato. Além disso, o selecionador precisa estar preparado para ter o conhecimento aprofundado de tudo o que é necessário no cargo a ser preenchido. Pois, para selecionar um analista financeiro é preciso entender as competências e necessidades da função, entendendo se o candidato se aproxima da função ou tem excesso de conhecimento e então traçar uma linha de adaptação.

O candidato que falseia informações pode ser desmascarado na própria entrevista, quando o selecionador evita o uso de perguntas clichês, como quais as suas habilidades e defeitos, e faz questionamentos mais inteligentes, que trarão respostas espontâneas e verdadeiras, desestruturando “as respostas ensaiadas”. A conversa com o candidato deve ser tranquila e fluida, que leve a confiança e evite mais nervosismo no candidato. É possível perceber coerência na narrativa da pessoa quando há uma entrevista bem feita.

Franqueza ganha pontos

Se tem algo que conta ponto com recrutadores é a franqueza, pois ainda que a sua competência não se encaixe em uma vaga ela poderá levar a outros processos seletivos. Porém se mentir, perderá a vaga para a qual está concorrendo e também a oportunidade de participar de outras seleções, pois ficará taxado com perfil enganoso.

Portanto, antes de pensar em mentir qualquer coisa que seja, na entrevista de emprego, no currículo ou no perfil da rede social de networking, pense nas consequências desastrosas, que isso poderá trazer a sua carreira, quando a verdade aparecer. A máxima popular já alerta que “a mentira tem pernas curtas” — pode demorar um pouco, mas, será descoberta.

 *Kelly Stak, é consultora de RH e especialista em desenvolvimento de pessoas e escritora do livro “Rótulos Não Me Definem: Uma História de Resiliência”

>Proibida a reprodução parcial ou total sem os devidos créditos do autor.

Sobre Kelly Stak:

Kelly Stak é uma consultora de RH, especialista em desenvolvimento de pessoas e autora do livro Rótulos Não me Definem. Atuando como Consultora de Recursos Humanos, a profissional possui experiência de 15 anos na implantação de projetos e desenvolvimento de equipes. Coordenando a concepções de mapeamento de processos, com conhecimentos nas rotinas de Departamento Pessoal, Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento, Cargos e Salários. Como consultora, ela atende líderes e pessoas que desejam alcançar alta performance nos seus objetivos profissionais. Ela é graduada em Gestão de Pessoas e pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, tendo como formações complementares: Coaching, Analista Comportamental, Avaliação 360º pelo Instituto Brasileiro de Coaching; Gestão da Inovação pela ABIT com parceira com a Pierachiani e Instrutora de Treinamento pelo SENAI de São Paulo.  Em 2021, Kelly Stak, que também é escritora, lançou o livro “Rótulos Não Me Definem: Uma História de Resiliência”.

*O conteúdo é de inteira responsabilidade da autora e não representa a opinião do Folha Geral

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2 de abril: Dia Mundial da Conscientização do Autismo, aprenda a identificar os sinais

*Dr. Clay Brites é pediatra, neurologista infantil e um dos fundadores do Instituto NeuroSaber

Em 2007, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou a data de 2 de abril como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Essa iniciativa ocorreu para chamar a atenção da sociedade e ajudar milhões de pessoas que têm o transtorno ou àquelas que ainda sequer foram diagnosticadas. O objetivo é levar informação à população para reduzir a discriminação, preconceito e negligência contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O TEA afeta habilidades de percepção social e prejudica em intensidades diversas áreas do neurodesenvolvimento motor, cognitivo, sensorial e de comunicação social do autista que se manifesta diferente em cada pessoa. Desde muito cedo existem alguns padrões de comportamento bem conhecidos, pré-definidos, que podem ser observados pelos pais desde o nascimento, especialmente antes dos 16 meses. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e com diversas evidências científicas, os pais podem e devem começar a notar os primeiros sinais de TEA antes mesmo dos 3 anos de idade.

Alguns sinais que podem ser percebidos antes dos 12 meses são: desatenção à voz do adulto; não balbuciar; o olhar não procura a mãe quando ela se afasta; não estende os braços para pedir colo; falta de contato visual com a mãe no momento da amamentação; não responde com imitação ações como sorrir ou mostrar a língua.

Se até os 16 meses seu filho não der “tchauzinho” com as mãos; ausência da fala ainda perpetua; não procura com o olhar; não gosta de ser tocado; tem locomoção atípica, como andar nas pontas dos pés, pouca reciprocidade ao ser tentado interações com elas, atraso ou regressão de fala e comportamentos repetitivos devem ser os principais sinais de alerta. Na suspeita, deve-se procurar por um especialista (pediatra, neuropediatra ou psiquiatra infantil) deve ocorrer quando esses atrasos aparecem de forma significativa e incomodam o convívio com elas.

A partir do momento em que essa dúvida surge, a visita a um médico ou profissionais de saúde familiarizados com o tema deve ser urgente e indispensável pois, a partir da triagem, a criança poderá ser encaminhada a profissionais especializados e poderá começar um tratamento precoce. O diagnóstico do autismo deve ser feito por profissionais especializados na área e realizados a partir da observação direta da criança, entrevistas com os pais e pelo uso de questionários e instrumentos direcionados.

Após a confirmação do autismo, os pais devem seguir as orientações do grupo de profissionais de várias áreas como pediatria, neuropediatria, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, entre outros. São eles que vão trabalhar a intervenção e o desenvolvimento da criança junto à família e à escola. Neste processo, o mais importante é o diagnóstico precoce para que se comece a estimulação o mais cedo possível numa fase da vida muito mais sensível e com evidências de intervenção terapêutica eficaz. Com isso, o desenvolvimento neurológico da criança pode ser mais rapidamente preservado e obtermos resultados mais efetivos.

(*) Dr Clay Brites é Pediatra e Neurologista Infantil (Pediatrician and Child Neurologist); Doutor em Ciências Médicas/UNICAMP (PhD on Medical Science); Membro da ABENEPI-PR e SBP (Titular Member of Pediatric Brazilian Society); Speaker of Neurosaber Institute.

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Benefícios da Técnica Feynman na hora de estudar

*Leonardo Chucrute é Diretor-geral do Colégio e Curso ZeroHum

Você já reparou que passamos grande parta da nossa vida estudando? E como qualquer atividade em que queremos ter um bom desempenho, para que isso aconteça precisa ser prazeroso. A técnica Feynman pode ser uma aliada para conseguir ter uma performance melhor em relação aos estudos. Mas você já ouviu falar desse método?

A gente sabe que está explicando bem sobre um assunto quando uma criança entende? Certo? A técnica Feynman nada mais é que um modelo mental para transmitir informações com o uso de pensamentos concisos e linguagem simples. Ela pode ser aplicada em qualquer assunto e é indicada para quem precisa aprender algo de maneira rápida e eficaz. O principal benefício está relacionado à compreensão do que está sendo estudado e melhorar a memorização, não se limitando apenas em decorar o conteúdo.

A Técnica Feynman se baseia em quatro etapas. A primeira consiste em escolher um assunto. Por exemplo, se deseja estudar a história do Brasil, escreva esse título no topo da folha. Ao longo dos estudos, selecione palavras ou frases-chave para serem tópicos dos conteúdos estudados. Isso vai resumir o que você já leu e aprendeu. Uma dica é não usar palavras muito difíceis. Fazendo assim, você facilita na hora de memorizar ou revisar o conteúdo.

Na segunda etapa, você vai pegar tudo o que aprendeu e vai fingir que está dando aula. Sabe aquela frase que diz que o professor ao ensinar acaba aprendendo? Se você praticar essa segunda etapa, vai ver que não se lembra exatamente de tudo, então vai saber qual parte precisa de mais atenção.

A terceira parte da Técnica Feynman consiste em entender suas falhas. Entender o porquê de ter esquecido ou errado um conteúdo. Sendo assim, vendo o que precisamos melhorar, é hora de partir para a última etapa. Aqui é onde iremos procurar pela solução dos problemas. Revise e organize da melhor forma. Esse é o momento de pesquisar as maneiras que são mais práticas e eficientes para você. Dedique-se a esse método e vai se sentir mais motivado a estudar.

(*) Leonardo Chucrute é diretor-geral do Colégio e Curso ZeroHum, Professor de matemática, ex-cadete da AFA e autor de livros didáticos.

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Entendendo o Transtorno Obsessivo-Compulsivo

*Dr. Clay Brites é pediatra, neurologista infantil e um dos fundadores do Instituto NeuroSaber

No começo de 2022, pesquisadores da Brown University (EUA) rastrearam sinais cerebrais associados ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pela primeira vez. Esse estudo ainda se encontra em estágios iniciais, mas os especialistas envolvidos relataram que esse é o primeiro passo rumo à compreensão e ao tratamento do transtorno.

O que acontece é que algumas regiões frontais no cérebro de alguém que tem TOC formulam pensamentos que não são a tempo controlados por outras regiões responsáveis por controle de impulsos. Com isso, estes pensamentos acabam sendo julgados como verdadeiros e, sem controle, incentivam a repetição de seus desejos. Evidências de pesquisas mostram pouca ativação destas regiões e estudos de avaliação de espessura cortical demonstram que estas regiões são mais afiladas e finas quando se comparam com cérebros de pessoas sem TOC.

Apesar do TOC ser mais frequente em adultos, a manifestação pode se iniciar na infância. Dados e relatos de pesquisas têm demonstrado que muitos adultos com TOC já apresentavam sinais do transtorno na infância. Por esse motivo, é de extrema importância que pais, avós, cuidadores e até mesmo educadores estejam atentos para saber identificar possíveis sinais do transtorno em idade precoce, ou seja, antes dos cinco anos de vida.

Crianças com TOC apresentam comportamentos que são resultados de pensamentos obsessivos, ou seja, imaginam uma situação anormal onde um fato pode desencadear outro e passam a acreditar que devem acontecer senão algo de muito ruim pode surgir levando a uma enorme ansiedade e sensação constante de insegurança. Há também a presença de ações compulsivas onde elas têm que repetir movimentos ou procedimentos para sentirem bem e aliviados.

Costumam ser excessivamente preocupadas, imaginam as coisas de forma pessimista, irritam-se quando a perfeição não se cumpre ou se desfaz, têm mania de organização sem uma finalidade prática, possuem aversão anormal por tipos de vestimentas, comidas, limpeza, disposição de objetos.

O TOC impacta a vida da criança ou jovem por causa das alterações bruscas de humor, teimosia excessiva, crises de medo e insegurança, pensamentos frequentes de morte e de perdas, manias alimentares, de organização e de limpeza excessivas, além da baixa autoestima.  Podem assim restringir o contato dos pais com outras pessoas, desestimular visitas em casa, sofrer com o isolamento dos amigos na escola.

Em casos assim, deve ser iniciado o tratamento o quanto antes. Mesmo que a condição seja carregada para a vida toda, este jovem vai sofrer menos ao aprender como lidar mais cedo com o transtorno. O TOC deve ser enfrentado por meio de terapias comportamentais e de manejo parental onde os pais e a escola devem ser orientados como lidar e proceder no cotidiano. Podem ser utilizadas medicações em alguns casos e circunstâncias.

(*) Dr Clay Brites é Pediatra e Neurologista Infantil (Pediatrician and Child Neurologist); Doutor em Ciências Médicas/UNICAMP (PhD on Medical Science); Membro da ABENEPI-PR e SBP (Titular Member of Pediatric Brazilian Society); Speaker of Neurosaber Institute.

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Love bombing: Fique atento a declarações de amor exageradas

*Psicóloga Alessandra Augusto

Love Bombing significa “bombardeio de amor” e tem como principal característica declarações exageradas e apaixonadas principalmente em relacionamentos muito recentes. Infelizmente, precisamos estar atentos a esse tipo de demonstração, pois pode indicar que a pessoa com quem estamos pode ser um manipulador ou até mesmo um golpista.

A principal característica é o exibicionismo. A pessoa que pratica tem demonstrações entusiasmadas e exuberantes de afeto e romantismo, uma necessidade e disposição desse afeto ou da pessoa a quem é direcionado o afeto.

Há indivíduos que usam esse comportamento para a conquista e por uma necessidade de retorno rápido, pois investe muito em pouco tempo. Ela acelera, aumenta e potencializa as demonstrações, pois espera por esse retorno. É um clássico manipulador que investe demais nesse afeto, pois precisa que a pessoa caia naquela conversa e baixe a guarda.

Quem se envolve com esse manipulador acredita que é muito amado e que o outro vai fazer de tudo por esse relacionamento. E com isso fica subjugado por entender que amor maior não vai existir. Geralmente eles buscam pessoas fragilizadas emocionalmente para se envolver, pois são alvos fáceis de indivíduos com esse tipo de comportamento.

Atitudes românticas fora de um contexto, grandiosas e sem saber do gosto do outro deve ser entendida como exagerada. Ao perceber atitudes que não são românticas e, sim, exibicionistas no momento inicial de um relacionamento, é um sinal de alerta. Não é normal com poucos dias ganhar um carro, um anel de brilhantes, ser pedida em casamento. Isso é uma atitude discrepante.

Por isso, procure saber a real intenção do que está acontecendo. Deve-se conversar e deixar claro que os dois são indivíduos singulares, cada um com sua cultura e experiências e que pode ser que você não consiga contemplar a expectativa do outro e como irá lidar com isso. Por exemplo, o parceiro vai te dar um carro, mas ele está preparado para não receber um carro de presente? Geralmente quem tem esse comportamento espera receber na mesma proporção em que investe.

Outra situação, quando a pessoa conhece alguém e, no segundo dia, já quer alterar o status nas redes sociais como “relacionamento sério”. Muda a imagem de perfil já com a foto junto da outra pessoa. A outra talvez não esteja pronta para esse tipo de exposição e pode se sentir seduzida ou até forçada a fazer o mesmo. Há quem use essa situação até como uma “barganha” para tentar “provar” para a outra o quanto ela a ama. Essa é uma forma de manipular, deixando fragilizado e vulnerável a esse tipo de indução de comportamento.

Portanto, quem está interessado, tem que estar perceptivo a isso e avaliar se está disposto a dar o que é investido. Se não, é melhor recusar. Nesse momento entra a responsabilidade afetiva com o outro e com você. Ao perceber que não vai retribuir no mesmo nível o investimento do outro, seja responsável de falar que não é o momento e não leve o relacionamento à frente.

(*) Alessandra Augusto é formada em Psicologia, Palestrante, Pós-Graduada em Terapia Sistêmica e Pós-Graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia. É a autora do capítulo “Como um familiar ou amigo pode ajudar?” do livro “É possível sonhar. O Câncer não é maior que você.

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Como se comportar em caso de crush no ambiente profissional?

*Kelly Stak

Na moda, o termo ‘crush’ nada mais é do que aquela velha e conhecida ‘paixonite aguda’ ou ‘queda por alguém’, que, com o tempo pode se tornar uma paquera e até mesmo um relacionamento amoroso, passageiro ou duradouro, dependendo do caso.  Como as pessoas passam grande parte de suas vidas no ambiente profissional, o se apaixonar por um colega é muito comum, e pode causar nos envolvidos uma sensação de insegurança e incerteza de como devem agir, para que o sentimento ou o envolvimento não comprometa a carreira. 

A experiência de ter um crush pode ser empolgante, porém isso muda quando uma ou ambas as pessoas já são comprometidas. Sem entrar nos méritos do que é moralmente certo ou errado, temos que entender qual o comportamento adequado nesta situação, dentro do local do trabalho. Se interessar por alguém casado, requer o cuidado de avaliar quais seriam as consequências. Que tipo de impacto traria a sua vida, ao outro, a todos os envolvidos e, se for descoberto, qual será o impacto também na área profissional? Neste caso, o melhor a fazer e verificar se é um risco que vale a pena.

Quando o envolvimento acontece entre dois solteiros há mais liberdade para o crush e, mesmo assim, é importante manter um comportamento profissional adequado dentro da companhia. Ainda que, a afinidade iniciou no ambiente profissional, prefira manter contatos de paquera ou de relacionamento mesmo, para outros ambientes externos, fora do horário do trabalho, e evite qualquer tipo de exposição diante dos colegas, em festas da empresa ou outras situações. Lembre-se, que determinados olhares, o tempo que gasta conversando ou certas brincadeiras, que demonstrem intimidade, são facilmente percebidas nestes ambientes.

Seja o mais natural possível em suas interações com o seu crush na empresa e evite demonstrar ciúmes ou ter crises aparentes porque a outra pessoa está em reunião ou falando com alguém, que você não gostaria que estivesse. Nesta situação terá que exercitar o autocontrole, para que não se exponha em público e crie uma situação constrangedora para você mesmo.

A discrição se torna muito importante, principalmente quando a paixonite não é reciproca ainda ou se o relacionamento amoroso está apenas no início (ainda estão se conhecendo melhor). Se abrir com colegas, pode comprometer sua imagem e infelizmente não dá para confiar em todo mundo. O casal deve estabelecer um acordo, que mantenha a situação apenas entre eles, evitando comentários com terceiros. Procure evitar nudes e mensagens picantes, pois, caso o envolvimento não der certo e houver qualquer tipo de desentendimento, a outra pessoa poderá usar isso de forma que exponha você.

Caso o relacionamento evolua e vire algo sério é muito importante conhecer a fundo qual é a política da empresa.  Algumas, não incentivam relacionamentos pessoais entre colegas de trabalho. De qualquer forma, as companhias não podem desligar um funcionário por esse motivo, mas pode ter regras que promova o compliance, ou seja, esteja em conformidade com as leis, padrões éticos, regulamentos internos e externos.

Caso a relação evolua é necessário avisar o departamento de Recursos Humanos, antes que eles fiquem sabendo por fofocas, criando mal estar e dificultando a comunicação adequada sobre o assunto. Lembre-se que nem sempre é possível esconder um relacionamento por muito tempo, principalmente com a disseminação das redes sociais. Além de afetar sua imagem profissional, a fofoca atrapalha a sua produtividade e mina a sua confiança. Para evitar situações embaraçosas, melhor manter um comportamento transparente, ético e profissional, de forma que não abale sua carreira.

Mesmo quando o crush evolua para algo bem mais séria, como casamento, ambos precisam conversar sobre a ascensão das carreiras, pois um pode virar líder do outro, e é interessante entender como lidarão com isso. Além disso, conseguirão ter uma convivência em casa e também no trabalho?  

Já está mais do que provado que um crush do trabalho pode sim dar certo, afinal quase todo mundo conhece um casal formado em ambientes profissionais, que deram super certo. O segredo, é ter equilíbrio e administrar bem as emoções na fase inicial da paixonite, de forma que não interfira no trabalho!

Sobre Kelly Stak:

Kelly Stak é uma consultora de RH, especialista em desenvolvimento de pessoas e autora do livro Rótulos Não me Definem. Atuando como Consultora de Recursos Humanos, a profissional possui experiência de 15 anos na implantação de projetos e desenvolvimento de equipes. Coordenando a concepções de mapeamento de processos, com conhecimentos nas rotinas de Departamento Pessoal, Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento, Cargos e Salários. Como consultora, ela atende líderes e pessoas que desejam alcançar alta performance nos seus objetivos profissionais. Ela é graduada em Gestão de Pessoas e pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, tendo como formações complementares: Coaching, Analista Comportamental, Avaliação 360º pelo Instituto Brasileiro de Coaching; Gestão da Inovação pela ABIT com parceira com a Pierachiani e Instrutora de Treinamento pelo SENAI de São Paulo.  Em 2021, Kelly Stak, que também é escritora, lançou o livro “Rótulos Não Me Definem: Uma História de Resiliência”.

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Aprenda a técnica da repetição espaçada para estudar

*Leonardo Chucrute

Estudar, às vezes, é um desafio. Mas um desafio maior é se lembrar de tudo o que você estudou. Já passou pela seguinte situação: estudou história, por exemplo, e após um tempo esqueceu boa parte do conteúdo?

É valido explicar que essa perda de memória não surge do nada. No século dezenove o filósofo alemão Hermann Ebbinghaus, explicou um fenômeno chamado “Curva do Esquecimento”. Hermann percebeu que a curva funcionava da seguinte forma: depois de vinte minutos que estudamos, esquecemos 42% do que aprendemos. Depois de uma hora, não lembramos de 56%. Após 30 dias, esquecemos 80% de tudo o que a gente aprendeu!

Nós como seres humanos evoluímos para ter a memória seletiva. Ou seja, só retemos aquilo que vai nos ajudar naquele momento. O resto descartamos. É por isso que para aprender uma matéria precisamos memorizar. Para ter um desempenho melhor devemos praticar o método da repetição espaçada. Essa técnica funciona como revisões do que estudamos em espaços de tempo diferentes. Começa com intervalos menores, até chegar nos maiores.

A repetição espaçada é dividida em: 24/7/30. O número “24” representa 24 horas depois que você estudou. Ou seja, um dia depois que você aprendeu algo é necessário fazer uma revisão. Já o “7” representa a semana. Depois de todo dia ter estudado e revisado, no final da semana deve-se fazer uma revisão maior. O “30” representa um mês. Logo, tudo o que aprendeu em um mês precisa ser revisado.

Essa revisão pode ser feita através de resumo ou o fichamento, em que usamos tópicos com palavras-chaves. Mas uma técnica que considero melhor para memorização é o flashcards. São cards de papel em que escreve a pergunta na frente e a resposta atrás.

Essa dica é muito eficiente, pois parece com jogos de perguntas e respostas. Indico que tenha três caixas para colocar as respostas. Na revisão de 24 horas, se acertar, coloque na segunda caixa (referente a revisão de uma semana), se errar deixe na primeira (para revisar em 24 horas).

No dia que for fazer a revisão dos 7 dias, tente acertar os cartões da segunda caixa. Acertando, passe eles para a terceira caixa (de um mês), errando, deixe na segunda. Na revisão de 30 dias, revise os cartões da terceira caixa. Quando acertar você já sabe que conseguiu reter aquele conteúdo.

Mas se, infelizmente, você não acertou os da terceira caixa, passe os cartões para a primeira. Esse é um sinal para revisar mais essa matéria e começar um novo ciclo. Estude, dedique-se e tudo vai dar certo. Com esforço o resultado vem!

(*) Leonardo Chucrute é diretor-geral do Colégio e Curso ZeroHum, Professor de matemática, ex-cadete da AFA e autor de livros didáticos.

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Relacionamento no trabalho. E agora?

*Margareth Signorelli

Se apaixonar pelo chefe ou por alguém no ambiente de trabalho é uma responsabilidade maior do que se apaixonar por qualquer outra pessoa, pois você pode correr o risco de se dar mal e até perder seu emprego.

Em primeiro lugar vamos entender alguns pontos importantes:

– Você é correspondida?

– Quais as regras da empresa?

Partindo do princípio de que a empresa não tem nenhuma restrição em relação a relacionamentos, ainda assim existe uma responsabilidade mútua.

Vou exemplificar duas situações diversas.

  • Você não é correspondida, mas ele percebeu que você se apaixonou por ele. Aqui você poder ter duas atitudes: ser sincera expondo seus sentimentos ou não.

Se decidir tomar a primeira atitude, marque uma conversa e diga que infelizmente se deixou envolver, mas que não deixará, de forma alguma, que isto interfira na sua conduta de trabalho. Aí você precisa procurar ajuda para superar o que não começou e nem tem previsão de começar entender que um relacionamento é muito mais do que a atração ou a admiração que adquirimos por alguém.

Em um relacionamento amoroso existem duas pessoas que se propõem a se conhecerem mais profundamente e essa admiração, atração e amor devem crescer quando você conviver com a pessoa e ver como ela se relaciona com os outros, suas atitudes, valores e interesses.

Estes e muitos outros detalhes podem mudar profundamente a visão do outro, levando da paixão à aversão, mas para isso é preciso se relacionar para descobrir, senão você viverá um Amor Platônico.

É bom ter a consciência de que ninguém tem um relacionamento amoroso solitário. Precisamos de duas pessoas que neste exemplo, não irá acontecer, então não tem como sustentar este amor ilusório.

  • Você é correspondida, mas o outro pede segredo.

Aqui, você pode perceber, que se não der certo, você corre o risco de se machucar e até perder seu emprego, principalmente se a outra pessoa for seu chefe.

Em uma relação deve existir uma responsabilidade mútua para que os dois se sintam aceitos, respeitados e assumidos. Isso tem que ser acordado entre vocês e pesado se os dois estão dispostos a expor para a empresa este começo ou mesmo se os dois estão dispostos a esperar que realmente se torne algo que mereça ser anunciado publicamente, pois existem consequências que os dois terão que enfrentar juntos.

O importante nessas duas situações é cuidar de você em primeiro lugar e se tiverem que estar juntos, que seja de uma forma que os dois sejam valorizados, se sintam pertencer e possam ter um relacionamento saudável e equilibrado.

Em primeiro lugar é importante saber se estamos preparados a arriscar algo que leva tempo para ser construído e não queremos brincar com os sentimentos da pessoa e nem com os nossos. Mas se não tentarmos, como saber?

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