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Por que seguimos a opinião dos outros para evitar conflitos

Estudo explica como o cérebro se ajusta ao consenso de um grupo e pode mudar a sua opinião ao longo do tempo

Leitura: 3 minutos

Frederico Cursino, da Agência Einstein

(Imagem ilustrativa/Freepik)
(Imagem ilustrativa/Freepik)

Por que é tão difícil discordar da maioria? É possível manter as próprias opiniões, mesmo quando as pessoas em volta pensam o contrário? Um novo estudo publicado pelo jornal científico Scientific Reports revela que, neurologicamente, estaríamos predestinados à manipulação pelo coletivo. O motivo: evitar conflitos futuros.

A pesquisa realizada por neurocientistas da Universidade HSE, na Rússia, constatou que ir contra a opinião geral não apenas ativa um sinal de alerta no cérebro, como também deixa alguns traços que permanecem por um longo tempo. Os vestígios mantidos na atividade cerebral fazem com que, posteriormente, o cérebro ajuste a opinião em favor do ponto de vista da maioria.

Segundo os pesquisadores, no curto prazo, a concordância com o grupo no qual a pessoa esteja inserida ativa centros cerebrais responsáveis pela sensação de prazer. Por outro lado, em casos de desacordo, são enviados sinais de “erro”.

Já depois de longo tempo, esses efeitos da influência social podem alterar a maneira como o cérebro funciona. Aparentemente, após se ajustar ao consenso coletivo, o órgão começa a perceber as informações pelos olhos da maioria, com o propósito de evitar conflitos futuros. “O cérebro absorve a opinião dos outros como uma esponja e ajusta suas funções à opinião de seu grupo social”, explica Aleksei Gorin, estudante de doutorado na Universidade HSE e um dos autores do estudo.

Para realizar a análise, os cientistas usaram um método chamado magnetoencefalografia (MEG), que permite ver em detalhes a atividade do cérebro humano durante o processamento de informações, e tem uma resolução temporal superior à ressonância magnética funcional. No início dos experimentos, 20 participantes avaliaram fotografias de rostos estranhos e classificaram o grau de confiança em cada um deles. Em seguida, os participantes foram informados sobre a opinião de um grande grupo de colegas em relação às pessoas retratadas. Metade acabou mudando de opinião sob a influência de seus pares. Além disso, observou-se alterações na atividade cerebral: os cientistas descobriram que foram mantidos “traços” referentes aos desentendimentos anteriores.

De acordo com os pesquisadores, uma fração de segundo após rever os rostos desconhecidos, o cérebro dos participantes em desacordo enviava um sinal lembrando-os do conflito anterior. A hipótese é que, muito provavelmente, a fixação desse alerta permita ao cérebro prever possíveis novos conflitos decorrentes daquele desentendimento, e isso deve ocorrer de forma inconsciente.

“Vivemos em grupos sociais e ajustamos automaticamente nossas opiniões às da maioria, e a opinião de nossos colegas pode mudar a maneira como nosso cérebro processa informações por um tempo relativamente longo”, diz a professora da Universidade HSE, Vasily Klucharev, que também é autora do estudo.

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Vasily destaca ainda outra constatação interessante do estudo: o fato de o córtex parietal superior, uma área do cérebro responsável por recuperar memórias, estar envolvida na codificação dos sinais de desacordo. Com isso, é provável que os temas divergentes sejam lembrados melhor do que outros no futuro.

(Fonte: Agência Einstein)

Com foco em saúde, ciência e bem-estar, a Agência Einstein oferece gratuitamente conteúdo qualificado para jornais, revistas, emissoras de TV e rádio e sites de notícias. A iniciativa do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, tem o objetivo de difundir informação de qualidade para promover saúde e difundir conhecimento.

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