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Pacientes em países pobres têm seis vezes mais chances de morrer após cirurgia de câncer

Segundo estudo britânico, esses óbitos acontecem em razão da pouca estrutura de hospitais em nações menos desenvolvidas

(Foto: Camila Souza/GOVBA)

Frederico Cursino, da Agência Einstein

Em países de baixa e média renda, pacientes que passam por cirurgia do câncer têm até seis vezes mais chances de morrer por complicações, comparados àqueles de nações mais desenvolvidas. Segundo estudo britânico publicado nesta semana pela The Lancet, esses óbitos acontecem 30 dias após as operações, em razão de os hospitais em países mais pobres serem menos propensos a ter instalações pós-cirúrgicas ou planos para cuidados desses pacientes.

No maior trabalho já produzido sobre o tema, pesquisadores das Universidades de Edimburgo, na Escócia, e de Birmingham, na Inglaterra, examinaram dados de quase 16 mil pacientes de 428 hospitais em 82 países. Todos foram submetidos a cirurgia para câncer de mama, intestino ou estômago entre abril de 2018 e janeiro de 2019.

O estudo descobriu que a diferença de mortalidade pode aumentar, dependendo do tipo de câncer. Pacientes com câncer de estômago tinham três vezes mais probabilidade de morrer em países de baixa e média baixa renda. Já as chances de óbito eram quatro vezes maiores após procedimentos operatórios para câncer de intestino. Em relação ao câncer de mama, porém, não houve diferença nas mortes entre os países de baixa, média e alta renda.

Os autores da pesquisa apontam as complicações pós-operatórias como um dos principais motivos para o fosso entre ricos e pobres. A cirurgia é uma parte importante do tratamento do câncer, com 80% desses pacientes submetidos a um procedimento. As complicações após a cirurgia são comuns, mas os hospitais que oferecem um alto padrão de cuidados pós-operatórios tiveram os melhores resultados na recuperação dos pacientes, mesmo em tratamentos para estágios avançados da doença. Países de renda baixa e média-baixa que tinham instalações de cuidados pós-operatórios no local foram associados a sete a dez mortes a menos por cada 100 complicações.

“Países ricos e pobres têm cirurgiões e anestesiologistas talentosos, mas as nações com poucos recursos não têm infraestrutura para suportar as complicações que ocorrem durante a cirurgia. Agora, sabemos que isso pode ter um grande impacto na sobrevivência ou não do paciente”, analisa Ewen Harrison, professor de Cirurgia e Ciência de Dados da Universidade de Edimburgo.

Harrison acrescenta, ainda, que investir em recuperação adequada, espaços de enfermaria, equipes treinadas, sistemas de alerta precoce e instalações de cuidados intensivos resultaria em cuidados cirúrgicos muito melhores. Consequentemente, haveria uma redução dos óbitos pós-operatórios.

Os pesquisadores ressaltam que a análise cobriu apenas os resultados iniciais após a cirurgia. No futuro, porém, eles planejam estudar os resultados de longo prazo e outros tipos de câncer.

(Fonte: Agência Einstein)

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