A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) celebra a iniciativa do Ministério da Justiça de criar o Observatório Nacional da Violência contra o Jornalista, com o intuito não só de combater os violentos ataques que os profissionais de imprensa brasileiros têm sofrido como também de, em consonância com as forças de segurança e Justiça, dar seguimento às investigações e à punição dos responsáveis.

A convite do ministro da Justiça, Flávio Dino, organizações de imprensa, como Abraji, Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, se reuniram com a equipe do governo em 16.jan.2023 e apresentaram um quadro da grave situação em que se encontram os jornalistas. Desde o ataque aos Três Poderes em 8.jan.2023, mais de 40 profissionais foram agredidos física e verbalmente, acossados e mesmo assaltados por grupos que defendem o golpe militar. Antes disso, entre o fim das eleições, em 30.out.2022, e o dia 7.jan.2023, foram mais de 80 casos de agressões e impedimento de exercer o trabalho jornalístico.

As organizações apresentaram ao ministro uma série de sugestões, como o estabelecimento de protocolos de segurança para a cobertura de grandes atos e manifestações, que, esperamos, sejam analisadas e viabilizadas. Além da Abraji e Fenaj, as organizações que compõem o grupo que elaborou as recomendações são: Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Artigo 19, Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), Intervozes, Instituto Palavra Aberta, Instituto Vladimir Herzog (IVH), Repórteres sem Fronteiras (RSF) e Tornavoz.

A violência é um mal que tem atingido a todos os brasileiros, das mais diversas profissões. No entanto, é importante lembrar que a agressão a um jornalista durante o exercício de seu trabalho é um atentado à liberdade de imprensa, resguardada pela Constituição e pelo Poder Público. Todos esses profissionais, no momento em que foram perseguidos, ofendidos ou agredidos, estavam em busca de informações de interesse público.

Que a iniciativa do Ministério da Justiça seja levada a cabo e que possa trazer a segurança necessária para que a imprensa, sempre passível de críticas no campo democrático, possa trabalhar com a segurança necessária para informar a sociedade. Lembramos que as organizações de liberdade de imprensa também estão em um diálogo direto com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), por intermédio do ministro Paulo Pimenta e do secretário de Políticas Digitais, João Brant, para atuar no mesmo sentido da segurança dos profissionais, além da garantia de acesso a informações públicas e necessárias. Todo esforço dos Poderes Públicos neste momento é importante.

Diretoria da Abraji, 16 de janeiro de 2023