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Do entrudo ao trio elétrico, Carnaval de Salvador é convite à diversão

Carnaval de Salvador 2018. Foto: Renato Lima/Ag Haack/Pref. Salvador

Fevereiro é sempre marcado por uma energia diferente que move todos em direção às ruas para curtir o Carnaval. Mas de onde veio essa tradição? Trata-se de uma data religiosa que antecede o período de quaresma, segundo conta o pesquisador e jornalista Nelson Cadena, no livro “História do Carnaval da Bahia – 130 anos do Carnaval de Salvador”.

Como a quaresma, que se estende desde a Quarta-feira de Cinzas ao domingo de Páscoa, foi marcada, durante muitos anos, por um período de contemplação, do jejum, abstinência sexual e proibição de comer carne vermelha, os dias que a antecediam tornaram-se momento para extravasar e se exceder. Esse período recebeu o nome de “Adeus à carne”, ou “Carnevale”, em italiano.

Em Salvador, segundo o pesquisador, a brincadeira nas ruas começa com o entrudo, trazido pelos portugueses. Inicialmente, consistia em atirar água uns nos outros, mas aqui foi ganhando outras formas. Bolas de cera perfumadas – chamadas de limões, lima e laranja – divertiam as famílias nos salões de residência e no teatro. Na rua, o entrudo consistia em atirar, desde os limões cheirosos, até ovos, farinha de rosca, polvilho e até tripa de animais cheias de água e às vezes de urina, por engraçadinhos.

Ao lado do entrudo, proibido por diversas portarias, por causa dos transtornos que causava, começa a aparecer o Carnaval mais organizado dos salões, por volta de 1850, no Teatro São João, na Praça Castro Alves. Três décadas depois, surgem os desfiles de clubes, como o Cruz Vermelha e os Fantoches de Euterpe com carros alegóricos pomposos. “As pessoas costumam ter saudade do Carnaval antigo, mas é preciso ter em mente que ele não volta mais e que as festas sofrem transformações adequadas ao novo momento”, avalia Cadena.

Dos clubes ao surgimento e consolidação do trio elétrico, diversas manifestações marcaram a festa de Momo de Salvador: os pranchões, grandes camarotes que se deslocavam sobre trilhos, os corsos, carros sem capotas, ornamentados, que desfilavam pelas ruas; e a Fobica de Dodô e Osmar, que em 1951 se destacou por utilizar cornetas amplificadoras e o pau elétrico (a guitarra), tocando o repertório de Vassourinhas. Só em 1972, o trio se consolida com a apresentação de Caetano Veloso, em sua Caetanave, produzida por Orlando Tapajós, e dá cara nova ao Carnaval baiano.

Resgate cultural – Como a festa está sempre se reinventando, após a intensificação de blocos, há hoje um movimento de retorno ao Carnaval sem cordas. “Hoje, eu vejo que está acontecendo uma pressão da sociedade para ganhar espaço na avenida. As cordas dos blocos tomavam 80% do espaço da rua e deixavam o folião sem espaço para brincar. Até os próprios responsáveis pelos blocos foram se conscientizando. Foi crescendo o Carnaval pipoca”, acrescenta Cadena.

Para ele, o Carnaval é uma festa ótima, muito bem-sucedida e, em linhas gerais, exitosa, mesma opinião do pesquisador do tema e vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Miguez: “O Carnaval é maravilhoso! É o momento único da vida da sociedade baiana e de Salvador, em que a população consegue reproduzir de forma gostosa a alegria e energia que já lhe são características. É a festa da inversão, o pobre se veste de rei, o homem se veste de mulher, a mulher, de homem, é período de se divertir”, afirma.

Onde consultar – Toda essa história da folia de Salvador pode ser apreciada com riquezas de detalhes na Casa do Carnaval, tanto por meio dos livros disponíveis para leitura no local, como pelo acervo audiovisual e dos artefatos utilizados na festa, que promovem uma verdadeira viagem no tempo. O espaço funciona de terça a domingo, de 11h às 19h, sendo que é preciso chegar até as 18h para ter acesso. Os ingressos custam R$ 30 (Inteira) e R$ 15 (Meia-entrada).

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Da Folha Geral, em Salvador*

*Com colaboração de (agência, assessoria ou especialista)

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