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‘Se nada for feito, tragédia vai se repetir’, diz professor da USP sobre Brumadinho

A história se repetiu em Minas Gerais. A barragem Mina do Feijão rompeu e despejou 12 milhões de metros cúbicos de lama em Brumadinho. Já são 60 mortos confirmados e 291 pessoas seguem desaparecidas. A Sputnik Brasil entrevistou dois especialistas para entender o episódio

Jair Bolsonaro sobrevoando Brumadinho
© Foto : Isac Nobrega/Presidência da República

Para o engenheiro ambiental e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro David Zee, a responsabilidade pelo episódio “não é de um ator só”. Ele ressalta que o incidente mostra que é necessário uma “revisão completa” nas normas técnicas de barragens.

A barragem de Mina do Feijão não estava em situação de risco, de acordo com a Agência Nacional de Águas, e passou por inspeção em setembro de 2018 por uma empresa alemã — que não encontrou nenhum problema.

Zee diz ter uma “suspeita” de que as chuvas podem ter influência no colapso da barragem já que elas contribuem para alterar o peso que precisa ser contido. Ele faz uma previsão para a região:

“O primeiro impacto é a total descaracterização do relevo do local. Era um local de escoamento de água, agora solapou com os sedimentos e mudou o curso dos rios por onde passou. Outra coisa é a vegetação natural que foi totalmente arrasada, isso para não falar da infraestrutura humana que existia naquela região”, diz o professor da Uerj à Sputnik Brasil.

A barragem em Brumadinho utilizava uma das técnicas mais baratas para estocar os rejeitos do processo de mineração. O método utilizado é conhecido como “a montante” e consiste em empilhar os rejeitos em camadas em um vale.

É a mesma técnica empregada na barragem de Fundão, em Mariana, que rompeu em 2015 e causou 19 mortes e o vazamento de mais de 43 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O material contaminou o Rio Doce e chegou até o Oceano Atlântico.

Uma lei que pretende proibir as barragens a montante, além de estabelecer regras mais rígidas para a mineração, está parada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais há mais de um ano, indica reportagem da BBC Brasil.

“Se nada for feito, tragédia vai se repetir”

O professor Wagner Ribeiro, do departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o incidente de Brumadinho era uma “tragédia anunciada” e que pode se repetir caso não ocorra uma revisão drástica de “todos os procedimentos de vigilância e os critérios de avaliação de risco”.

Ribeiro diz que o episódio de Mariana ensinou “muito pouco” e que já sabe o “o que não fazer” com as vítimas: “no caso de Mariana foi criada uma fundação, a Renova, que praticamente tirou a Vale da interlocução junto às comunidades. Tem gente que até hoje não recebeu nenhum tipo de indenização”.

O professor da USP também ressalta que a política ambiental não é ideológica, mas objetiva: “Quando falamos de falta de água, aquecimento global, estamos falando de problemas reais e concretos, situações que a ciência mostra”.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) chegou a afirmar durante a campanha que pretendia acabar com o “ativismo ambiental xiita”. Já eleito, disse que existe uma “indústria da multa”ambiental e que “o governo é especialista em perseguir quem trabalha no Brasil”.

Levantamento da Folha de S. Paulo mostra que o Brasil tem 24 mil barragens — mas apenas 3% delas já foram vistoriadas. Além disso, 42% das barragens não têm qualquer tipo de regularização legal como autorização ou outorga.

Da Sputnik

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