em

Balsas é o município que mais desmatou o Cerrado no último ano

Nove dos dez municípios que mais desmataram estão no Matopiba; região bateu recorde e responde por 61% da maior supressão do bioma desde 2015

Oeste da Bahia, região do Cerrado brasileiro que é uma das últimas fronteiras agrícolas do país (Foto: José Cícero/Agência Pública)

Os dez municípios que mais desmataram o Cerrado concentram 15% (1.278,66 km²) de toda a perda de vegetação no bioma entre agosto de 2020 e julho de 2021. Deles, nove estão no Matopiba. A região que compreende os Estados da Bahia, do Maranhão, do Piauí e de Tocantins bateu recorde e responde por 61,3% (5.227,32 km²) do total de 8.523,44 km² desmatados no período. Superou o ano de 2017, quando foi responsável por 61,1% da derrubada no Cerrado. 

Balsas (MA) está no topo da lista, tendo suprimido 241,64 km² de vegetação nativa, seguido por São Desidério (BA), com 207,84 km² desmatados; Formosa do Rio Preto (BA), 157,31 km²; Paranã (TO), 135,43 km²; Jaborandi (BA), 116,44 km²; Grajaú (MA), 95,42 km²; Caxias (MA), 86,79 km²; Aldeias Altas (MA), 83,64 km² e Correntina (BA), com 76,41 km². O único município fora do Matopiba é Santa Maria das Barreiras (PA), que desmatou 77,74 km². 

“Há uma elevada atividade agropecuária na região do Matopiba, por isso precisamos colocar em prática soluções conjuntas para dissociar a produção do desmatamento. Desmatar não é e nunca foi uma necessidade para melhorar a produtividade agrícola”, diz Ane Alencar, diretora de Ciência no IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). 

A análise de pesquisadores do IPAM tem como base a consolidação dos dados do Prodes, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que mapeia a supressão de vegetação nativa no Cerrado. A área desmatada em todo o bioma foi a maior desde 2015 e corresponde quase seis cidades de São Paulo. 

Oeste da Bahia, região do Cerrado brasileiro que é uma das últimas fronteiras agrícolas do país (Foto: José Cícero/Agência Pública)
Oeste da Bahia, região do Cerrado brasileiro que é uma das últimas fronteiras agrícolas do país (Foto: José Cícero/Agência Pública)

Desmonte do Inpe para o Cerrado

Na quinta-feira (6/01), após anúncio da descontinuidade do monitoramento do bioma Cerrado pelo Inpe, cientistas mostraram preocupação. De acordo com o órgão, conforme reportagem do G1, o recurso destinado à equipe responsável acabou ao final de 2021. 

“O trabalho da equipe de monitoramento do Cerrado no Inpe é fundamental para que a gente conheça a realidade do que está ocorrendo no bioma, o quanto está ameaçado e o que ainda pode ser feito para controlar e evitar sua devastação. São dados oficiais e de referência que norteiam não só políticas públicas, mas também a atuação de outros setores da sociedade”, comenta Julia Shimbo, pesquisadora no IPAM e coordenadora científica da iniciativa MapBiomas. 

Maior que o México, o Cerrado ocupa uma área de 2 milhões de quilômetros quadrados e é o segundo maior bioma do Brasil. Como hotspot de biodiversidade, apresenta diferentes tipos de vegetação nativa. É a savana mais biodiversa do mundo e está sob elevado grau de ameaça. Quase metade já foi desmatada: 54,5% de seu território ainda é coberto por vegetação nativa, sendo que 44% se encontra justamente no Matopiba.

*Com informações do IPAM 

Avalie o conteúdo