Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein

O consumo excessivo de álcool aumenta o risco de pancreatite, que é uma inflamação do pâncreas e uma doença potencialmente fatal, com um alto índice de recorrência. Um estudo realizado pelo Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, em parceria com a Universidade de Pittsburgh e outras instituições, destaca que a intervenção precoce pode minimizar os danos.

A pancreatite é a doença gastrointestinal que mais leva a hospitalizações nos Estados Unidos. Em jovens, o consumo de álcool é a principal causa de inflamação aguda do pâncreas. Episódios repetitivos podem tornar a doença crônica, um quadro irreversível com danos permanentes.

“Cada vez que a pessoa apresenta pancreatite aguda, ela corre o risco de complicações graves, como necrose, infecção e morte”, explica o gastroenterologista Rafael Ximenes, do Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia.

Portanto, os autores do novo estudo destacam a importância de interromper o consumo de álcool imediatamente após o primeiro episódio e recomendam que o paciente receba acompanhamento psicológico para cuidar também da saúde mental. Dos 128 pacientes acompanhados pelos autores, quase metade teve um novo episódio em menos de oito meses.

Além disso, 40% dos pacientes apresentavam depressão, enquanto 45% tinham ansiedade. Muitos também enfrentavam problemas familiares e financeiros, ou estavam em luto relacionado a períodos de maior alcoolismo. De acordo com o estudo, todos os pacientes haviam consumido álcool por mais de 20 anos, começando com um padrão moderado na adolescência, com menos de cinco drinques por dia, até chegar a sete ou dez drinques por episódio.

O risco de pancreatite causada pelo consumo de álcool está associado ao consumo excessivo ao longo de vários anos, o que significa mais de 60 gramas de álcool por dia. Isso equivale a cinco long necks de cerveja, cinco taças de 125 ml de vinho ou 200 ml de destilados.

O álcool provoca lesões nas células do pâncreas, levando à ativação de enzimas digestivas dentro do órgão, que podem resultar em autodigestão e inflamação. Nos casos mais graves, pode ocorrer necrose e sangramento, além do acúmulo de líquido no abdômen. Além disso, a ingestão de álcool altera a composição do suco pancreático, o que facilita o depósito de proteínas e prejudica o fluxo para o intestino.

O principal sintoma da doença é uma dor intensa na região superior do abdômen, que pode irradiar para as costas, às vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Nos casos crônicos, podem ocorrer diarreia e presença de gordura nas fezes, que adquirem um aspecto acinzentado e pegajoso. Estima-se que de 20% a 30% dos pacientes internados devido a um episódio agudo evoluam para a forma grave, com uma taxa de mortalidade de 5%. Quando ocorre necrose, a mortalidade pode chegar a 30%.

“Não se sabe por que alguns pacientes evoluem para formas mais graves, mas provavelmente se deve a fatores como predisposição genética e uma reação inflamatória mais exacerbada”, diz Ximenes.  Outros fatores que podem levar à pancreatite são cálculos biliares capazes de obstruir o fluxo do suco pancreático, medicamentos e, menos frequentemente, taxas muito elevadas de triglicérides e doenças infecciosas como a febre amarela, entre outros.

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