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Telemedicina auxilia tratamento de doenças raras entre países

Infectologista brasileiro auxilia equipe americana no tratamento de um caso de leishmaniose

Cauê Rebouças, da Agência Einstein

(Imagem ilustrativa/Freepik Premium)
(Imagem ilustrativa/Freepik Premium)

Viajar pelo mundo é o sonho de muitas pessoas. No entanto, imagine ter a possibilidade de visitar os países que sempre quis e voltar à sua pátria com uma alergia que evolui aos poucos e nenhum médico consegue descobrir o que é?

Foi o caso da norte-americana H.B., de 23 anos de idade, que, após retornar de uma viagem da Costa Rica, percebeu que estava com alguma doença cujos sintomas pareciam uma alergia comum, uma infecção fúngica que nenhum tratamento solucionava.

Depois de um ano sem resultado, a lesão evoluiu e H.B. passou a ter sangramentos nasais. Após diversos exames moleculares de PCR, médicos e centros de pesquisa consultados, finalmente ela descobriu que estava com uma doença rara nos Estados Unidos, a leishmaniose.

Mas havia um problema: a dificuldade dos especialistas norte-americanos em diagnosticar corretamente o tipo de parasita para identificar o tratamento adequado.

A leishmaniose é uma moléstia infecciosa ocasionada por um protozoário do gênero Leishmania, uma parasitose comum em países tropicais como o Brasil. A transmissão se dá por meio da picada do mosquito-palha, espécie mais comum em regiões de clima quente e úmido. Por isso, médicos de regiões temperadas não estão familiarizados com a patologia.

A telemedicina foi fundamental para auxiliar no diagnóstico. Lucas Zoboli Pocebon, médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, auxilia a paciente e troca informações com os médicos dos Estados Unidos para, em conjunto, procurarem o melhor tratamento para ela: tudo mediado pela tecnologia.

“O Brasil tem expertise no diagnóstico e tratamento da leishmaniose, pois é uma doença que aflige bastante algumas regiões do país, como a Norte. Por isso, a telemedicina está sendo muito importante para este tratamento, porque estamos conseguindo identificar a espécie de parasita correta para seguir com o melhor tratamento possível”, explica Pocebon.

De forma simples, existem dois tipos de acometimento pela Leishmania: a visceral e a muco-cutânea. A primeira, também conhecida como calazar, é a mais grave, e pode afetar os órgãos das vísceras, como o baço e o fígado, além da medula óssea. Já a segunda aflige mais a pele e pode se manifestar como lesões inflamatórias nas mucosas do nariz ou da boca.

Segundo Pocebon, definir o diagnóstico o mais rápido possível é importante para o caso não se agravar ainda mais, e a telemedicina possibilita o intercâmbio de informações médicas entre países com mais agilidade. “Facilita estes casos em que um paciente é acometido por uma doença rara em uma localidade, mas que é muito comum em outra. Esta troca de dados e de conhecimento salva vidas”, complementa o infectologista.

(Fonte: Agência Einstein)

Ilustração. Foto: Reprodução

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