*Kelly Stak

Na moda, o termo ‘crush’ nada mais é do que aquela velha e conhecida ‘paixonite aguda’ ou ‘queda por alguém’, que, com o tempo pode se tornar uma paquera e até mesmo um relacionamento amoroso, passageiro ou duradouro, dependendo do caso.  Como as pessoas passam grande parte de suas vidas no ambiente profissional, o se apaixonar por um colega é muito comum, e pode causar nos envolvidos uma sensação de insegurança e incerteza de como devem agir, para que o sentimento ou o envolvimento não comprometa a carreira. 

A experiência de ter um crush pode ser empolgante, porém isso muda quando uma ou ambas as pessoas já são comprometidas. Sem entrar nos méritos do que é moralmente certo ou errado, temos que entender qual o comportamento adequado nesta situação, dentro do local do trabalho. Se interessar por alguém casado, requer o cuidado de avaliar quais seriam as consequências. Que tipo de impacto traria a sua vida, ao outro, a todos os envolvidos e, se for descoberto, qual será o impacto também na área profissional? Neste caso, o melhor a fazer e verificar se é um risco que vale a pena.

Quando o envolvimento acontece entre dois solteiros há mais liberdade para o crush e, mesmo assim, é importante manter um comportamento profissional adequado dentro da companhia. Ainda que, a afinidade iniciou no ambiente profissional, prefira manter contatos de paquera ou de relacionamento mesmo, para outros ambientes externos, fora do horário do trabalho, e evite qualquer tipo de exposição diante dos colegas, em festas da empresa ou outras situações. Lembre-se, que determinados olhares, o tempo que gasta conversando ou certas brincadeiras, que demonstrem intimidade, são facilmente percebidas nestes ambientes.

Seja o mais natural possível em suas interações com o seu crush na empresa e evite demonstrar ciúmes ou ter crises aparentes porque a outra pessoa está em reunião ou falando com alguém, que você não gostaria que estivesse. Nesta situação terá que exercitar o autocontrole, para que não se exponha em público e crie uma situação constrangedora para você mesmo.

A discrição se torna muito importante, principalmente quando a paixonite não é reciproca ainda ou se o relacionamento amoroso está apenas no início (ainda estão se conhecendo melhor). Se abrir com colegas, pode comprometer sua imagem e infelizmente não dá para confiar em todo mundo. O casal deve estabelecer um acordo, que mantenha a situação apenas entre eles, evitando comentários com terceiros. Procure evitar nudes e mensagens picantes, pois, caso o envolvimento não der certo e houver qualquer tipo de desentendimento, a outra pessoa poderá usar isso de forma que exponha você.

Caso o relacionamento evolua e vire algo sério é muito importante conhecer a fundo qual é a política da empresa.  Algumas, não incentivam relacionamentos pessoais entre colegas de trabalho. De qualquer forma, as companhias não podem desligar um funcionário por esse motivo, mas pode ter regras que promova o compliance, ou seja, esteja em conformidade com as leis, padrões éticos, regulamentos internos e externos.

Caso a relação evolua é necessário avisar o departamento de Recursos Humanos, antes que eles fiquem sabendo por fofocas, criando mal estar e dificultando a comunicação adequada sobre o assunto. Lembre-se que nem sempre é possível esconder um relacionamento por muito tempo, principalmente com a disseminação das redes sociais. Além de afetar sua imagem profissional, a fofoca atrapalha a sua produtividade e mina a sua confiança. Para evitar situações embaraçosas, melhor manter um comportamento transparente, ético e profissional, de forma que não abale sua carreira.

Mesmo quando o crush evolua para algo bem mais séria, como casamento, ambos precisam conversar sobre a ascensão das carreiras, pois um pode virar líder do outro, e é interessante entender como lidarão com isso. Além disso, conseguirão ter uma convivência em casa e também no trabalho?  

Já está mais do que provado que um crush do trabalho pode sim dar certo, afinal quase todo mundo conhece um casal formado em ambientes profissionais, que deram super certo. O segredo, é ter equilíbrio e administrar bem as emoções na fase inicial da paixonite, de forma que não interfira no trabalho!

Sobre Kelly Stak:

Kelly Stak é uma consultora de RH, especialista em desenvolvimento de pessoas e autora do livro Rótulos Não me Definem. Atuando como Consultora de Recursos Humanos, a profissional possui experiência de 15 anos na implantação de projetos e desenvolvimento de equipes. Coordenando a concepções de mapeamento de processos, com conhecimentos nas rotinas de Departamento Pessoal, Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento, Cargos e Salários. Como consultora, ela atende líderes e pessoas que desejam alcançar alta performance nos seus objetivos profissionais. Ela é graduada em Gestão de Pessoas e pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, tendo como formações complementares: Coaching, Analista Comportamental, Avaliação 360º pelo Instituto Brasileiro de Coaching; Gestão da Inovação pela ABIT com parceira com a Pierachiani e Instrutora de Treinamento pelo SENAI de São Paulo.  Em 2021, Kelly Stak, que também é escritora, lançou o livro “Rótulos Não Me Definem: Uma História de Resiliência”.

Conteúdo de colaborador*

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