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Lixo hospitalar precisa de atenção redobrada na luta contra a covid-19

Além de trazer ameaças à saúde neste momento sem precedentes de nossa história, todo e qualquer tipo de resíduo descartado inadequadamente também afeta diretamente o meio ambiente

(Imagem ilustrativa/Pixabay)

Um relatório técnico realizado pela Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren) enviado ao Ministério da Saúde no final de abril de 2020 alerta que o volume de lixo hospitalar gerado no combate ao coronavírus vai aumentar em até quatro vezes.

O aumento da geração dessa categoria de resíduo perigoso pode saturar o sistema adequado de tratamento desse tipo de material e trazer riscos à saúde das em meio à pandemia que já vitimou dezenas de milhares de brasileiros e que já conta centenas de milhares de infectados no país.

Estima-se que um único leito de hospital em utilização gere em média meio quilo de resíduos por dia. Neste cenário, a capacidade diária de processamento de lixo hospital e de serviços de saúde no Brasil é de 480 mil toneladas por ano. Considerando que antes da pandemia do novo coronavírus a produção média anual desse tipo de material era de 253 mil toneladas, sua multiplicação no tratamento da covid-19 colapsaria o sistema seu sistema de tratamento.

Há ainda outro agravante. O comportamento deste vírus mortal ainda não é totalmente compreendido pela ciência (que vem correndo contra o relógio para estudar suas características em busca de tratamento assertivos e uma vacina). No entanto, uma pesquisa realizada pela Fiocruz reuniu estudos que detectaram que o coronavírus pode sobreviver até quatro horas em algumas superfícies.

Ainda é necessário considerar que parte do lixo doméstico também pode estar contaminado nos domicílios onde os pacientes de casos leve de covid-19 fazem o tratamento e isolamento, além dos lares onde há sintomáticos que não sabem que podem contaminar seus resíduos.

O Brasil não enfrenta apenas a subnotificação de casos de coronavírus, como também pode estar em defasagens quanto aos dados sobre a real quantidade de lixo hospitalar e de serviços de saúde gerados e devidamente tratados no país.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a quantidade de lixo hospitalar produzido no país registrou uma diminuição de 17% entre os dias 1º e 15 de abril de 2020. Isso pode significar um perigo ainda maior de que o resíduo hospitalar não esteja sendo corretamente identificado, segregado, transportado rumo à destinação final adequada para evitar novas contaminações.

(Imagem ilustrativa/Pixabay)
(Imagem ilustrativa/Pixabay)

Gestão de resíduos precisa ser intensificada  

Na gestão correta de resíduos hospitais, clínicas, laboratórios e outros serviços de saúde, todo o lixo deve ser manipulado por profissionais treinados, identificados em embalagens especiais para sua identificação imediata, ser estocado em área segura e ser transportado com identificação da carga.  Para isso, os estabelecimentos de saúde precisam emitir o Manifesto de Transporte de Resíduos, o MTR, documento que pode ser emitido online e que mostra a origem, quantidade, tipo de resíduo e sua destinação final de tratamento.

“O MTR é uma das normas específicas para o transporte de resíduos que deve ser guardado por quatro anos para controle de órgãos de fiscalização ambiental e sanitária. É muito importante que os serviços de saúde usem o MTR como mais um instrumento de controle neste momento de crise sanitária”, explica Guilherme Arruda, CEO da VG Resíduos, startup mineira premiada por suas soluções tecnológicas para o gerenciamento de resíduos nas empresas.

Neste momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pede que os países intensifiquem suas ações em saneamento básico e no gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde e também do lixo doméstico para evitar novos focos de contágio pelo novo coronavírus.

Além de trazer ameaças à saúde neste momento sem precedentes de nossa história, todo e qualquer tipo de resíduo descartado inadequadamente também afeta diretamente o meio ambiente.  Além do perigo do coronavírus, o lixo é o ambiente propício à proliferação de vetores de outras doenças mortais como ratos, baratas e insetos transmissores de dengue, chikungunya, febre amarela, cólera, leptospirose, peste bubônica, malária e outras viroses. 

Da Redação, com colaboração*

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