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“Se morrer um indígena no Vale do Javari, a gente vai reagir também”, diz líder kanamari

Por Rubens Valente, José Medeiros

Cerca de 200 indígenas do Vale do Javari se reuniram no final da tarde de ontem, 23 de junho, na frente da coordenação regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) de Atalaia do Norte (AM) com faixas e cartazes para pedir proteção à região e Justiça para os assassinatos de Bruno Pereira, Dom Phillips e Maxciel Pereira e com críticas ao governo federal e ao presidente do órgão em Brasília, Marcelo Xavier. Cartazes pediram “fora Xavier”.

Indígenas e servidores da Funai pediram Justiça para os assassinatos do indigenista Bruno e do jornalista Dom, ocorrido no último dia 5 no rio Itaquaí, e do indigenista Maxciel, morto com um tiro em Tabatinga (AM) em 2019.

Os servidores da Funai convocaram para esta quinta-feira protestos em todo o país e uma paralisação de 24 horas. De acordo com a INA (Indígenas Associados), formada por servidores do órgão, houve adesão em 40 das 52 unidades no país.

No protesto em Atalaia do Norte, o cacique kanamari Eduardo Dyanim falou ao microfone: “Aqui na região do Itaquaí, no [rio] Curuçá, queremos a presença do Estado, da Polícia Federal, do Exército, do Ibama pra fazer a proteção do nosso território. Porque se nós, um indígena morrer, a gente vai reagir também. Isso tem que deixar bem claro para os invasores não indígenas também. Eu vou só esperar. Se morrer um indígena no Vale do Javari, a gente vai reagir também”.

A fala do cacique foi traduzida por um indígena kanamari. Com mais de 4 mil, conforme calculado pelo governo em 2014, os kanamaris são um dos povos indígenas mais numerosos da Terra Indígena do Vale do Javari – a Funai estima mais de 7 mil indígenas no território do Javari.

“O Bruno estava sendo um de nós, tipo um kanamari, que canta a música da natureza, pedindo mais proteção. Esse canto faz bem, por isso que ele se apaixonou pela música dos kanamaris. O Bruno deu a vida pelos povos indígenas do Vale do Javari. Por isso que sempre a gente vai falar o nome dele quando organizar nossos eventos”, disse Eduardo.

A cacica Sandra Matsés da Aldeia Nova Esperança, no rio Curuçá, disse que “Bruno lutou por nós, e nós do Vale do Javari vamos lutar por ele também”, segundo o intérprete. “Nós não vamos nos calar, vamos continuar a lutar pelos nossos direitos. Nossa resistência dos povos indígenas. Eu chorei porque fiquei muito triste porque Bruno lutou mas iria acontecer assim mesmo, eu sabia que ia acontecer, porque defensores da Funai nos avisaram que ia acontecer. Então aconteceu.”

De acordo com a liderança Matsés, os indígenas não querem fazer vingança “como antigamente” porque hoje “lutam com o papel, lutam com a Justiça para o Dom e para o Bruno”.

Ato em frente ao prédio da Funai em Atalaia reuniu cerca de 200 indígenas (Foto: José Medeiros/Agência Pública)

O cacique Eduardo Dyanim disse que há ameaças contra indígenas e servidores da Funai não apenas na região do rio Itaquaí, onde Bruno e Dom foram assassinados, mas em outras partes da terra indígena Vale do Javari. “Aqui a gente está lutando mais na região do Jarinal, na região de Jutaí, os parentes recentemente contatados estão sendo ameaçados também pelos garimpeiros. Também precisamos lutar por eles também. Queremos lá mais Funai, para poder barrar a entrada dos invasores.”

Jader Marubo, ex-coordenador da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), principal organização indígena da região, disse que o governo federal “está desestruturando tudo” na política indigenista. “Nós não temos um motor que presta. Eu trabalho aqui dentro, nós não temos computadores suficientes para fazer um trabalho de qualidade para nossos parentes. Nossas bases [de fiscalização] estão sendo sucateadas.”

“Nós não vamos nos calar, vamos continuar a lutar pelos nossos direitos”, diz cacica Sandra Matsés da Aldeia Nova Esperança (Foto: José Medeiros/Agência Pública)

Miriam Pereira Vasquez, da AMITI (Associação das Mulheres Indígenas Tikunas), no vizinho município de Benjamin Constant (AM), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro “não é nosso amigo, não é amigo da humanidade, não é amigo da Justiça”. “Ele quer nos destruir como nossa parenta falou, estamos na época de eleição. É hora agora de dizer basta. É hora de nós colocarmos nossos dedinhos lá na urna [de votação] para tirar ele, é hora de mudar a nossa história.”

O especial Vale do Javari — terra de conflitos e crime organizado é uma série de reportagens da Agência Pública com apoio do Amazon Rainforest Journalism Fund (Amazon RJF) em parceria com o Pulitzer Center

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Funai de Brasília barrou Bruno durante a primeira fiscalização com indígenas no Javari

Por Rubens Valente, José Medeiros

Documentos da Funai (Fundação Nacional do Índio) e do MPF (Ministério Público Federal) obtidos pela Agência Pública com exclusividade mostram como o comando do órgão indigenista em Brasília dificultou uma ação de fiscalização na Terra Indígena Vale do Javari por causa da presença do indigenista Bruno Pereira entre os indígenas que fariam a vigilância no território. Ele foi assassinado no dia 5 de junho junto com o jornalista Dom Phillips.

Por um ano e dois meses, de 2018 a 2019, Bruno chefiou a coordenação especializada em índios isolados e de recente contato da Funai em Brasília. Ele foi destituído do cargo durante o governo Jair Bolsonaro em meio a pressões políticas e logo tirou uma licença não remunerada. A partir daí, passou a atuar na organização das equipes indígenas de vigilância como parte de um projeto tocado pela Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), a principal entidade indígena da região.

Em agosto do ano passado, a Univaja comunicou por escrito à Funai e às autoridades do Javari que iria iniciar uma atividade de monitoramento e fiscalização contra diversos crimes ambientais ocorridos na terra indígena. Seria a primeira atividade do gênero no Javari dentro do projeto coordenado pela Univaja.

Segundo um levantamento da entidade, somente naquele mês “foram encontradas seis canoas de invasores andando no rio Itaquaí”, o mesmo rio em que Bruno e Dom seriam, meses depois, assassinados.

“Fiscalização é pesado, perigoso, importante discutir na aldeia, essa discussão nunca foi feita de forma aprofundada nas aldeias kanamary, por isso é importante que se faça. Do igarapé Independência até a aldeia Tracoá está cheio de parente isolado, e até agora não há discussão sobre o que fazer com isso”, diz o relatório da Univaja.

Segundo a entidade, as constantes invasões ameaçavam a segurança dos indígenas que vivem em isolamento voluntário na região. Em 2021, disse a Univaja, “encontraram na aldeia Tracoá um arco e flechas dos isolados, uma liderança vendeu para um profissional da SESAI por R$ 150,00”.

Assim, a ação de fiscalização da Univaja procurava coibir a presença dos invasores e proteger os isolados. Ela duraria cerca de 30 dias ao longo dos rios Ituí e Itaquaí. Os indígenas passariam por um treinamento “para o uso de GPS, mapas, drones civis, sistema de radiofonia e comunicação satelital, equipamentos de audiovisual, sistema de geração de energia solar, manutenção de motores de popa e estacionários, legislação ambiental e indigenista, uso de EPIs adequadamente, técnicas de primeiros socorros e prevenção de doenças, técnicas para registro das ameaças e agressões ao meio ambiente, dentre outros”.

Sede da Funai no Vale do Javari, abandonada por falta de estrutura (José Medeiros/Agência Pública)

Em agosto do ano passado, a Univaja comunicou à Funai e ao MPF que iria iniciar a atividade de monitoramento e fiscalização contra diversos crimes ambientais dentro da Terra Indígena Vale do Javari. A ação seria executada por 12 indígenas e pelos indigenistas Bruno Pereira, Orlando Possuelo e Cristóvão Negreiros Pissango.

Os documentos que integram uma Ação Civil Pública que tramita em Manaus (AM) e discute toda a situação da terra indígena mostram que a Funai problematizou a presença de Bruno entre os indígenas e não concedeu uma autorização em tempo hábil para a sua participação na vigilância.

Na época do pedido feito pela Univaja, o coordenador regional da Funai em Atalaia do Norte (AM) era Henry Charlles Lima da Silva, um tenente da reserva do Exército nomeado no governo Bolsonaro. Em julho de 2021, veio à tona, na Folha de S. Paulo, uma gravação na qual Silva aconselhou indígenas a “meter fogo” em isolados. Ele saiu do cargo em novembro daquele ano.

Em agosto, em resposta ao ofício da Univaja, Silva afirmou que “a autorização de ingresso em Terras Indígenas é uma prerrogativa da Presidência da Funai, a qual enseja que sua solicitação seja feita previamente considerando os fluxos processuais exigidos para tanto”. Ao mesmo tempo, conforme reconheceu Silva, a coordenação regional da Funai poderia autorizar a “realização das atividades essenciais às comunidades indígenas”, citando “atendimento de saúde, segurança, entrega de gêneros alimentícios, de medicamentos e combustível”.

Silva disse ainda que não se opunha à entrada dos indígenas, “apesar da atividade não se encaixar naquelas de cunho essencial”. “Entretanto”, disse o militar, “o ingresso de pessoas não indígenas para realização de tal atividade nos demanda encaminhar para avaliação da Presidência da Funai, que por sua vez, enseja que aguardem pelo parecer técnico daquele gabinete”.

Bruno Pereira era apoiado pelos indígenas e estava no projeto de monitoramento a convite da coordenação da Univaja. Havia coordenado o escritório da Funai em Atalaia por quase cinco anos. 

“É digno de nota que Bruno Pereira, servidor de carreira da FUNAI, lotado nos quadros da Frente de Proteção do Vale do Javari, licenciado nos termos da legislação vigente, é considerado por esta organização regional e pelas organizações que integram nossa base política, a maior autoridade do país no trabalho em campo especializado em índios isolados no atual contexto. Sua participação se deu a convite desta organização em razão do notório saber e especialidade, além da grande confiança que desperta entre nossas lideranças”, escreveu a Univaja em 2021.

A Univaja reagiu com veemência ao ofício de Silva, o coordenador da Funai. “O desarrazoado e a burocratização do ingresso da equipe Univaja na própria terra nada tem a ver com protocolo de segurança em saúde e tampouco é razoável. Isto porque a própria autarquia não cria embaraços a qualquer estranho indígena ou não, que queira ingressar na TI [terra indígena]. Além disso, os muitos casos de invasão por parte de pescadores ilegais e caçadores só tem aumentado sem que CR [coordenadoria regional] possua tal preocupação.”

A coordenação dos índios isolados da Funai afirmou que aceitaria a entrada da equipe de vigilância, desde que os trabalhos fossem conduzidos por um servidor do próprio órgão lotado na Frente de Proteção Etnoambiental do Javari. Sobre Bruno, contudo, o órgão afirmou que ele estava em “licença para tratar de Assuntos Particulares”, o que tornaria “necessária orientação da Diretoria de Administração e Gestão (DAGES) da Funai, através de sua COLEP, sobre a pertinência de algum procedimento específico interno, tendo em vista se tratar de servidor lotado na FPEVJ/FUNAI mas afastado de suas funções para usufruir licença, bem como em relação à observância pelo servidor das condutas éticas preconizadas no serviço público”.

O setor de Gestão de Pessoas da Funai escreveu que teria sido “observado possível conflito de interesse” e por isso Bruno deveria encaminhar consulta à CGU (Controladoria Geral da União), por meio de uma petição eletrônica no sistema eletrônico da CGU. Além disso, o setor de pessoal fez uma “recomendação de não autorizar o exercício de atividade privada pelo servidor na TI Vale do Javari até que seja proferida manifestação definitiva da CGU”.

Meses depois, a CGU concordou com a visão da Funai de que haveria um suposto conflito de interesse e a partir daí Bruno estava sob ameaça de um processo administrativo disciplinar.

Procurada pela Agência Pública na semana passada, a Funai em Brasília se recusou a informar se o processo foi ou não aberto contra Bruno.

Ainda sobre o entrave na fiscalização, o MPF em Tabatinga (AM) solicitou uma série de explicações à Funai, incluindo a apresentação dos “fundamentos de fato e de direito para impedir o senhor Bruno da Cunha Araújo Pereira de continuar executando suas atividades na EVU [equipe de vigilância]”.

Em 27 de setembro, a Univaja confirmou ao MPF que a “Equipe de Vigilância da Univaja (EVU) e seus colaboradores foi barrada no ingresso da TI Vale do Javari, por parte da Base Proteção Etnoambiental da Funai na confluência dos rios Ituí e Itaquaí”. Informou ainda que a equipe ficou acampada perto da base da Funai no rio Ituí “por mais 10 dias aguardando a liberação de ingresso” e que regressou a Atalaia no dia 11 de setembro sem conseguir cumprir a fiscalização.

De acordo com o ofício da Univaja, as ordens na Funai “eram claras no sentido que a autorização do voluntário ‘Bruno’ estava com impedimento dos Diretores de Proteção Territorial e de Administração da Funai e que se a coordenadora da FPE [Frente Etnoambiental] Vale do Javari, Idnilda Obando, autorizasse o ingresso ‘responderia’ por isso”.

A Univaja escreveu ainda que “oficialmente não recebeu qualquer expediente sobre o ingresso da equipe nem sobre restrição aos não indígenas da equipe”. “Apenas informalmente nos era comunicado que existiam restrições ao nome do servidor licenciado Bruno Pereira, por parte da direção do órgão, CGIIRC e do coordenador regional contra a atuação contundente da Univaja e de seus apoiadores”.

“As informações nunca nos chegaram oficialmente, apenas ouvíamos de alguns servidores melindrosos de receberem retaliações da alta gestão da Funai e da CGIIRC/Funai, que eles queriam ‘acertar o Bruno e a Univaja’”, diz o ofício enviado pela entidade ao MPF.

O indigenista Orlando Possuelo confirmou à Agência Pública que a equipe foi barrada em setembro último e esperou vários dias por uma autorização que nunca chegou. Os indígenas ainda entraram, mas os não indígenas ficaram acampados numa praia do rio Itaquaí.

“A gente foi para o [rio] Quixito primeiro, onde fizemos quarentena. Nesse tempo treinamos GPS, drone, protocolos de segurança, olhamos os mapas, conversamos sobre a vigilância. A gente saiu de lá e foi para a Base [no rio Itaquaí]. [Foi informado] que não tinha autorização para entrar e não podia continuar. Então a gente ficou parada ali próximo ao [lago do] Jaburu, parado numa praia, onde fizemos o monitoramento desse limite da terra indígena”, disse Possuelo.

“A gente não tinha autorização para entrar, a Funai não liberou autorização para [os não indígenas] entrarem. A gente nunca conseguia, a verdade é essa”, disse o indigenista. A situação mudou depois que foi editada uma portaria que concedia à coordenação regional a decisão sobre liberar ou não a entrada. Desde setembro de 2021, Bruno Pereira e outros indigenistas foram autorizados pela coordenação regional a entrar na TI do Javari pelo menos três vezes, disse Possuelo.

A situação novamente mudou há cerca de um mês, quando a presidência da Funai voltou a ter a palavra final sobre os pedidos de ingresso nos territórios indígenas.

Em mensagem à Agência Pública na semana passada, a Funai afirmou, por meio de sua assessoria de comunicação, que “esclarece que não procede a informação de que o servidor licenciado Bruno Pereira estaria sendo perseguido dentro da instituição”.

“Sobre o suposto Processo Administrativo Disciplinar (PAD) envolvendo Bruno Pereira, a Funai esclarece que as apurações disciplinares possuem restrição de acesso para terceiros até o julgamento, nos termos do artigo 7º, parágrafo 3º, da lei 12.527/2011. […] sem prejuízo das demais hipóteses legais sobre informações sigilosas, conforme estabelece também o Enunciado CGU nº 14, de 31 de maio de 2016.”

Servidores da FUNAI no Vale do Javari protestaram por direito, justiça e proteção aos povos indígenas na sexta-feira (17) (José Medeiros/Agência Pública)

Greve de servidores da Funai

Segundo informações da Folha de S. Paulo, servidores de pelo menos 18 sedes da Fundação Nacional do Índio, a Funai, realizarão atos e prometem uma paralisação nesta quinta-feira (23) com foco em duas reivindicações: a saída de Marcelo Xavier da presidência do órgão e uma profunda investigação da morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips.

A reportagem da Pública confirmou que em Atalaia do Norte e Tabatinga (AM), no Vale do Javari, servidores do órgão indigenista prometeram parar. Eles reivindicam: “Uma Funai indigenista; segurança para execução da missão institucional; condições dignas de trabalho; justiça para Maxciel, Dom e Bruno”.

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Bruno estava “atrapalhando os negócios” dos assassinos, diz investigador da polícia civil

Por Rubens Valente, José Medeiros

Atalaia do Norte (AM) – Conforme avançam as investigações do inquérito presidido pela Polícia Civil, emergem mais detalhes sobre a motivação do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips ocorrido no domingo, dia 5 de junho, no rio Itaquaí.

Embora a Polícia Federal e o comitê de crise emitam notas à imprensa e tenham feito pelo menos uma entrevista coletiva, em Manaus (AM), ganhando para si um protagonismo midiático, é na delegacia de Polícia Civil de Atalaia do Norte que tramita o inquérito sobre os crimes. A investigação é realizada por dois policiais civis de Atalaia e pelo delegado Alex Perez e acompanhada pelo promotor de Justiça Elanderson Lima Duarte, a quem caberá fazer a denúncia ao Poder Judiciário a fim de dar início ao processo criminal. A PF faz uma investigação paralela, realizou exames com peritos criminais federais e ajudou nas buscas e na tomada de depoimentos.

A Polícia Civil havia tomado, até o último domingo (19), os depoimentos de 14 testemunhas e três suspeitos, incluindo o principal acusado que, segundo a polícia, confessou a autoria dos crimes, o pescador e caçador Amarildo Oliveira, conhecido como “Pelado”. Para o investigador de Polícia Civil que atua no caso desde a manhã do dia 6, Joilnen David Morais da Rocha, a motivação do crime foram as seguidas apreensões de pescado de “Pelado” e seus colaboradores no Vale do Javari. A maior entidade indígena da região, a Univaja, já havia denunciado, antes do crime, o papel de “Pelado” na invasão do território indígena atrás de caça e pesca ilegais.

Joilnen David Morais da Rocha, investigador da Polícia Civil de Atalaia do Norte (José Medeiros/Agência Pública)

“No meu entender, a motivação é dinheiro. O Bruno estava atrapalhando os negócios dos assassinos”, disse Rocha. Como colaborador da Univaja, Bruno Pereira estava ajudando a organizar, desde o ano passado, equipes de vigilância indígenas voltadas para o monitoramento e a denúncia de crimes ambientais cometidos dentro da terra indígena. Ainda antes, como coordenador da Funai (Fundação Nacional do Índio) durante cinco anos em Atalaia, de 2012 a 2016, Bruno também já havia dado ênfase à fiscalização.

O investigador da Polícia Civil explicou que grupos de pescadores agindo fora da lei são financiados para realizar excursões dentro da terra indígena que podem durar 15 dias, 20 dias, um mês. Toda a logística de uma empreitada como essa, que inclui combustível, alimentação e gelo para preservação da carne dos animais abatidos, pode variar de R$ 8 mil a R$ 20 mil.

Assim, quando o peixe e a caça são apreendidos, o prejuízo é enorme para as quadrilhas. Além disso, as incursões ilegais dentro da terra indígena significam muito mais dinheiro em jogo, pois o lucro é maior.

Polícia Civil de Atalaia do Norte é responsável pelo inquérito sobre os crimes (José Medeiros/Agência Pública)

“Com o mesmo esforço, um pescador fatura cerca de cinco vezes a mais quando adentra a terra indígena. A área é muito preservada, por isso o investimento compensa muito mais. Daí as seguidas invasões”, disse o investigador. Desde os anos 1990, quando a Terra Indígena Vale do Javari foi demarcada, os recursos foram sendo degradados pelos pescadores fora do território, mas aumentaram dentro, como reflexo da preservação adotada pelos indígenas.

No seu depoimento, segundo apurou a Agência Pública, “Pelado” disse que estava ficando cada vez mais incomodado com as ações de Bruno Pereira e dos indígenas contra a atividade ilícita na região. Ele disse aos policiais que toda vez que subia o rio, “o Bruno ia atrás” para saber se ele entraria na terra indígena e, assim, coibir a pesca ilegal.

No primeiro depoimento que prestou quando foi preso dias após o crime, “Pelado” negou qualquer participação nos assassinatos. Isso mudou após a prisão de um dos seus irmãos, Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como “Dos Santos”. Eles são irmãos muito próximos. “Foi quando ele viu que o tempo tinha fechado, ele pensou ‘vão me atingir onde mais me dói’, que no caso dele é a família. Ele viu que a polícia podia prender os outros irmãos e até seus pais. Foi quando resolveu colaborar”, disse Rocha.

(José Medeiros/Agência Pública)
(José Medeiros/Agência Pública)

De acordo com o investigador, foi uma mentira que despertou nos policiais a certeza de que “Pelado” estava envolvido no crime. No primeiro depoimento, “Pelado” disse que passou o dia todo em casa no domingo dos desaparecimentos, dia 5. A polícia começou a bater nessa mentira, pois conseguiu localizar, com apoio da Univaja, um pescador que por puro acaso disse ter passado pelo barco de “Pelado” no rio Itaquaí naquela mesma manhã. Além disso, deu uma carona a “Dos Santos”, que estava subindo o rio de canoa a remo e pediu ajuda porque estava indo falar com seu irmão, “Pelado”. Daí a enorme contradição: se “Pelado” passou o domingo todo em casa, como foi visto no rio?

“Essa testemunha nós consideramos como a chave, ela que ‘colocou’ os dois irmãos no rio, quando ‘Pelado’ dizia que tinha ficado em casa. Daí as coisas não faziam mais sentido e ele foi se enrolando nas mentiras.”

No sentido contrário do que afirmou a PF em nota na semana passada, a Polícia Civil segue investigando se houve ou não mandante para o crime. Os policiais civis têm até o dia 6 de julho para concluir o inquérito. Caso necessário, podem pedir ao Judiciário uma prorrogação do prazo por mais 30 dias, e assim sucessivamente.

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Cresce pessimismo sobre encontrar Bruno e Dom vivos após localização de pertences

Por Texto: Rubens Valente, Ciro Barros | Fotos: Avener Prado

Após informação não confirmada divulgada na manhã desta segunda-feira, 13 de junho, sobre a localização dos corpos de Dom Phillips e Bruno Pereira, as buscas foram retomadas por indígenas, bombeiros e militares no mesmo ponto do rio Ituí em que foram encontrados, neste final de semana, pertences de Bruno e Dom. 

Os indígenas empenhados nas buscas no leito do rio Ituí, a cerca de 40 km, ou uma hora e meia de barco do porto de Atalaia, pertencem a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) – que acionou os órgãos responsáveis pelas buscas – e lançou uma pesada sombra de pessimismo sobre as chances de localizar vivos Pereira e Phillips.

Buscas no leito do rio Ituí (Avener Prado/Agência Pública)

Além de uma mochila, um notebook e uma lona azul que, segundo os indígenas, é semelhante à utilizada por integrantes da Univaja, os indígenas também disseram ter encontrado um documento de um plano de saúde, utilizado por servidores públicos da União, em nome de Bruno Pereira. 

Em nota, a Polícia Federal confirmou as informações e disse que encontrou um par de chinelos, um par de botas e um cartão do plano de saúde do indigenista, além de um par de botas e uma mochila do jornalista britânico. 

Na tarde do domingo (12), a Agência Pública acompanhou parte das buscas realizadas pelos indígenas da Univaja a cerca de metade do percurso que deveria ter sido cumprido por Pereira e Phillips na manhã de domingo (6). O ponto no rio informado pelos indígenas fica abaixo das comunidades de São Rafael, na qual testemunhas já disseram à polícia que o barco da dupla passou pouco antes de desaparecer.

Os indígenas informaram sobre a localização dos possíveis pertences ainda no sábado (11) e o local foi isolado pela Polícia Federal e por militares. O Corpo de Bombeiros utilizou mergulhadores para recuperar os itens, que foram trazidos ao porto de Atalaia pela Polícia Federal no início da noite do domingo.

Cerca de 20 indígenas participaram das buscas neste domingo (Avener Prado/Agência Pública)

Em entrevista concedida na margem do rio Ituí junto ao local das buscas, o integrante da Univaja e indigenista Orlando Possuelo, filho do sertanista Sydney Possuelo, considerado um dos principais defensores dos povos indígenas no país, respondeu que não tem mais esperanças de reencontrar Bruno Pereira com vida.

Perguntado sobre a possibilidade de achar a dupla de desaparecidos com vida, Possuelo demonstrou pessimismo. “Não, não acredito nessa possibilidade. Os indígenas já falam, a gente já fala isso desde o domingo, a gente já não imaginava… Um cara experiente, acostumado a andar aqui, é um cara que era corajoso também por executar esse tipo de trabalho. A gente imaginava que se o pessoal o abordasse de alguma forma, ele ia tentar reagir de alguma forma”, disse Orlando.

O indigenista disse acreditar na hipótese de que Bruno tenha sido alvejado pelas costas, sem chance de defesa. “Eu acredito que foi uma covardia, por trás, acho que ele nem viu.  Na minha cabeça, foi dessa forma que aconteceu.”

Beto Marubo, uma das principais lideranças indígenas do Vale do Javari e também integrante da Univaja, disse, numa fala emocionada a diversos indígenas reunidos na sede da entidade em Atalaia na noite de sábado, que “o Bruno era um de nós”. “Ele e o Dom, que era outro amigo nosso. Nós chamamos o Dom para mostrar isso que vocês estão mostrando [denúncias de invasões dentro da Terra Indígena Vale do Javari].”

Marubo disse que “toneladas de caça e pesca são retirados de dentro da nossa terra”. Os indígenas estão organizando uma manifestação na manhã desta segunda-feira (13) na cidade de Atalaia.

Nas buscas ao longo do rio Ituí, que começaram ainda na manhã do domingo, os indígenas organizados pela Univaja também apontaram aos órgãos responsáveis pelas buscas uma área de mato à beira do rio Ituí que teria sido amassada pela passagem de um barco nas mesmas dimensões da embarcação desaparecida. O Exército isolou esse primeiro local e a Polícia Federal realizou uma perícia.

Cerca de 20 indígenas participavam das buscas neste domingo. “O que estamos fazendo é vendo se tem alguma marca. Eles tinham encontrado lona, vestimentas. A gente acredita que vai encontrar, estamos em busca da embarcação, está nessa área, a gente está há vários dias aqui”, disse Orlando Possuelo.

O indígena Arlindo Kanamari estava na tarde deste domingo coordenando uma equipe de seis indígenas. Ele disse que seria necessário que o governo federal ampliasse as equipes de busca para ajudar o trabalho dos indígenas. Ao longo do rio Ituí, conforme a Agência Pública verificou neste domingo, barcos do governo, como da Marinha e do Exército, sobem e descem o leito do rio, mas não existe um trabalho coordenado de buscas do tipo pente-fino nas margens do rio.

“Era bom [mais gente do governo nas buscas]. A gente tem que ver se algum vestígio dele, ou da baleeira [um tipo de barco], que está perdida. Era bom, para ter mais apoio, fazer a busca a mais para a gente ter mais gente trabalhando.”

De acordo com o indigenista Orlando Possuelo, os desaparecimentos de Pereira e Dom têm relação com a pesca predatória na região. Muitos pescadores invadem os limites da Terra Indígena Vale do Javari para capturar e revender carne do peixe pirarucu, por exemplo.

“As ameaças incomodam a gente, mas a gente sabe que, trabalhando nessas áreas que envolvem algum tipo de ilícito, pesca ilegal, sempre esse pessoal fica incomodado quando você tenta organizar alguma coisa para inibir esse tipo de atividade e no caso do monitoramento feito pelos indígenas, a vigilância feita por eles dentro da terra deles. Isso acaba expondo a gente de alguma forma, apesar do trabalho ser executado pelos indígenas. Como a gente dá apoio, a gente vai sendo alvo. Na maioria das boas causas, a gente sempre acaba se expondo a algum risco. Eu tenho esperança com o que a gente já encontrou e que a gente espera que a gente encontre. E que os envolvidos sejam… paguem pelo que fizeram, que sejam condenados.”

Indigenista Orlando Possuelo afirma que os desaparecimentos de Pereira e Dom têm relação com a pesca predatória na região (Avener Prado/Agência Pública)

No ato indígena, críticas ao governo Bolsonaro, ao abandono da Funai e aos governos locais

Já em ato nesta segunda-feira (13), indígenas do Vale do Javari exigiram segurança e o fim das invasões predatórias a seus territórios; as falas também registraram solidariedade às famílias de Dom Philips e Bruno Pereira.

A manifestação de hoje que homenageou os dois teve um forte tom político e cobrou segurança no território do Vale do Javari. Lideranças de todo o Vale criticaram o abandono da política de proteção ao território, o que os deixa à mercê dos invasores interessados nos recursos naturais e os expõe a situações de violência. 

“Bruno foi um grande guerreiro, foi um homem que bateu no peito e falou: “eu vou defender vocês, eu vou permanecer”. Foi realmente o que aconteceu, ele lutou por nós. Nosso protesto é pra mostrar que nós não somos minoria e que nós vamos continuar essa luta protegendo o nosso território”, afirmou a liderança Koká Matis, chefe da Aldeia Paraíso, segundo a tradução feita da fala dela no idioma dos Matis por outra liderança em um palco no centro de Atalaia. Foi lá que a manifestação estacionou depois de sair da sede da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) nas primeiras horas da manhã.

As críticas ao governo Bolsonaro e ao abandono da política indigenista foi frequente na fala das lideranças que discursaram após a manifestação estacionar. “Aqui está o verdadeiro dono do Brasil, não as pessoas que invadiram as nossas terras pra depois nos violentar. Nós queremos é paz, não queremos violência. Chega de violência. Esse governo Bolsonaro é covarde. São pessoas que mandam matar. Nós não andamos invadindo a terra de ninguém. Chega de invadir a nossa terra! Chega de invadir a nossa terra! Isso é garantido na Constituição Federal. O Bruno se foi pela omissão do governo federal de não garantir a proteção e a fiscalização das terras indígenas. Esse é o governo homicida que mata todo dia brasileiro, índio, preto. Esse é o governo”, afirmou Dyanei da Aldeia Massapê, também segundo a tradução feita por outra liderança. 

As notícias já desmentidas sobre a localização dos corpos de Dom Philips e Bruno Pereira eram refletidas no tom pessimista de algumas falas. Depois de se solidarizar com as famílias de Philips e Pereira, o cacique Américo Marubo falou na hipótese de que ambos tenham sido assassinados. “Eram pessoas que não vinham aqui pra fazer maldade com ninguém, mas infelizmente talvez alguém tenha assassinado essas pessoas”, disse. “Nós não estamos aqui para gerar conflitos. O Deus do povo Marubo não fez essa terra pra estar brigando, comercializando. Ele tá pedindo a paz para que a sociedade indígena que mora no território e dos que estão aqui, que não gerem conflito em função dessas circunstâncias, desse problema da invasão. Ele não gosta do governo porque é um governo que não pensa e não tem a mínima solidariedade com ninguém”, disse, também segundo a tradução realizada.

Ataques ao governo Bolsonaro, à Funai e seu presidente somaram-se a também a críticas aos governos locais pela falta de oportunidades de emprego à população não indígena local e pela falta de fiscalização e projetos voltados à pesca sustentável pelos ribeirinhos da região do Vale. Uma das hipóteses com que as autoridades trabalham é que o desaparecimento de Philips e Pereira esteja relacionado à pesca e caça ilegal na região.

Uma das falas mais duras foi feita pela liderança Silvana Marubo, líder das mulheres artesãs do povo Marubo, feita durante a coletiva de imprensa realizada na sede da Univaja. “Nós queremos falar às famílias do Bruno e do Dom que nós estamos sentindo a dor que eles estão sentindo. O Bruno foi nosso filho, foi nosso irmão. Eu sei o quanto elas estão sofrendo, o quanto estão desesperadas querendo notícia. Não foi uma, nem duas, nem três. Foi várias vezes que o Bruno recebeu ameaças, recebeu cartas com ameaças. Nós tivemos reuniões aqui nessa casa, chamamos o Ministério Público e ninguém fez nada! Nada!”, disse Silvana. “Agora o próprio presidente da Funai quer tirar o deles da reta dizendo que a CR [Coordenação Regional] do Vale do Javari está sendo protegida. Não está sendo protegida. A CR do Vale do Javari não é protegida pela Funai! É uma grande mentira! Eles nunca nem vieram aqui e não sabem o que os funcionários da Funai passam. Eles não tem armas, não tem como proteger quem tá lá dentro. Quem deveria proteger era a Polícia Federal, e ninguém fez nada! Hoje a mãe deles está chorando”, afirmou.

“Esse governo desde que entrou falou que não ia dar nem um centímetro de terra aos povos indígenas. Ele não foi um mentiroso. Ele falou a verdade. Ele é um covarde. Ele sabe que o índio depende da terra e hoje ele quer junto com um bando de fazendeiros, agronegócio, invadir terras e entrar onde tem a terra. Nós estamos aqui junto com nossos homens, no Brasil todo tem mulheres andando lado a lado com os homens. Enquanto vão matar um, vai nascer porque nós vamos dar fruto! Somos mulheres que geramos frutos. Vão querer matar e nós vamos estar parindo. Bolsonaro nós estamos lado a lado dos nossos parentes! Eu quero dizer pra mulher do Bruno e do Dom: nós estamos aqui, mulher, com vocês. Nós estamos chorando com vocês!”, concluiu Silvana Marubo.

*Este texto pode receber atualizações ao longo do dia

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Suspeito de desaparecimento de jornalista e indigenista denuncia tortura em sua prisão

Por Ciro Barros, Rubens Valente – Agência Pública

Amarildo da Costa Oliveira, apelidado de “Pelado”, suspeito de envolvimento no desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, disse ter sido torturado pela Polícia Militar do Amazonas em depoimento prestado a peritos da Polícia Civil do estado. As agressões teriam ocorrido durante sua prisão em flagrante, na última terça-feira, 7 de junho, por posse de munição restrita e permitida, segundo a polícia civil. Sua prisão preventiva foi decretada ontem, 9 de junho, pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, durante a audiência de custódia depois de a polícia revelar ter encontrado sangue na lancha dele. Não se sabe a origem do sangue que ainda será periciado.

Amarildo da Costa Oliveira, apelidado de “Pelado” (Reprodução/TV Globo)

Em um laudo que consta do auto de prisão de Amarildo, obtido pela Agência Pública (o processo está sob sigilo), respondendo a quesitos, os peritos médicos da Comarca de Atalaia do Norte da Polícia Civil do Amazonas relatam que: 1) quanto “às ofensas à integridade corporal do paciente: “lesões nas munhecas, lesões leves”; 2) sobre o instrumento que produziu a ofensa: “segundo o paciente, pisaram nas pernas, edema leve”; 3) se a ofensa foi produzida por “meio insidioso ou cruel”: “paciente refere que colocaram sacola em sua cabeça”, “asfixia”. Por fim, sobre se “a ofensa resultou em risco de vida”, os peritos respondem: “não apresenta evidência, só relato do paciente que desmaiou”. 

Laudo anexo ao auto de prisão de Amarildo (Reprodução)

Nos depoimentos de dois PMs que fizeram a prisão, que também constam do auto de prisão, as lesões apontadas no laudo também são citadas mas, segundo os policiais ouvidos, ele já estava com hematomas quando foi detido e teria machucado as pernas ao desembarcar machucado da lancha. Segundo seu então advogado, Ronaldo Caldas, que o acompanhou na prisão, Amarildo lhe disse que os PMs o teriam levado, já preso, para a lancha deles e depois conduzido a um “furo”, onde teriam ocorrido as sessões de tortura. “Colocaram saco em sua cabeça o asfixiando”, afirmou Caldas. O advogado também disse que Amarildo relatou ter desmaiado três vezes, acordando quando os policiais jogavam água em sua cabeça. “[Amarildo] Chegou aqui molhado ainda”, afirmou o advogado por meio de mensagem. Caldas falou à Pública antes de deixar a defesa de Amarildo, depois que a imprensa revelou que ele também é procurador do município de Atalaia do Norte.

Os depoimentos dos PMs e de “Pelado”

Em seu depoimento ao delegado da Polícia Civil de Atalaia do Norte, Alex Perez, que consta do auto da prisão obtido pela reportagem, o sargento Massicley Araujo Freitas, relata as circunstâncias da detenção  de “Pelado”. Segundo ele, abordados pela polícia, “ribeirinhos, que não quiseram se identificar” disseram que cerca de 10 minutos depois de Bruno e Dom passarem de barco, haviam visto “Pelado” passar em frente da comunidade, “no mesmo sentido da lancha de Bruno Pereira”.

Informada do paradeiro de “Pelado”, a “equipe policial se deslocou até o lugar indicado, encontrando o referido cidadão na comunidade de São Gabriel”. Feitas as buscas na casa dele foram encontrados 16 chumbinhos, um cartucho deflagrado de calibre 16; 01 munição de uso restrito de calibre 762.39; 01 porção de substância de cor branca. Então, “foi realizada a condução de Amarildo da Costa de Oliveira, vulgo “Pelado”, para 50a DIP para as providências cabíveis.

Material que a polícia alega que estaria em posse do suspeito (Reprodução)

Em seguida o sargento detalha:QUE o flagranteado já apresentava os hematomas no nariz e no ombro esquerdo no momento de sua detenção no referido local, QUE foi foi feito o uso de algemas conforme súmula vinculante número 11, e que ao desembarcar da lancha o mesmo veio a escorregar e machucou suas pernas (…)”. 

O mesmo enredo, com a mesma referência aos machucados, foi repetido no depoimento do cabo que participou da prisão.

Na oitiva ao delegado, “Pelado”, além de negar envolvimento e conhecimento sobre o desaparecimento de Bruno e Dom, também reclamou de maus tratos. Segundo a transcrição de seu depoimento, ele se queixou “da truculência desde sua residência até a Delegacia” e pediu ao delegado que fosse feito um exame de corpo delito. 

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que foi criada uma força tarefa, com todos os órgãos envolvidos na operação, para localizar os dois desaparecidos, na qual o porta-voz oficial é a Polícia Federal. A reportagem perguntou a PF se foi realizado o exame de corpo de delito em Amarildo, se a conduta dos policiais que efetuaram a prisão será investigada a partir do relato oficial do suspeito e quais outras medidas serão adotadas para esclarecer os fatos narrados no depoimento. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta do órgão.

Vizinhos falaram à Pública sobre Amarildo 

Agência Pública esteve na manhã desta sexta-feira (10) no endereço indicado por Amarildo da Costa de Oliveira como sua segunda moradia — a primeira foi a comunidade de São Gabriel. É uma casa de madeira no final de uma rua de asfalto esburacado e sem esgotamento sanitário no bairro de Cidade Nova, a cerca de 5 minutos de mototáxi do centro de Benjamin Constant (AM), à margem do rio Javari.

Um morador e comerciante da rua, que pediu para não ter o nome publicado, contou que Oliveira era conhecido como pescador e caçador. Ele costumava vender carne de animais silvestres e peixe para os vizinhos como “um modo de sobrevivência”, disse o comerciante. Transportava a carne numa “carroça”, como é chamada na região uma pequena carreta puxada por motocicleta. Vendia pacu, anta, paca, sardinha, porco-do-mato. Quando ele voltava das caçadas, disse o vizinho, os moradores ficavam sabendo pela passagem da “carroça” na rua e se dirigiam à casa dele para comprar o material.

(Reportagem Agência Pública)
(Reportagem Agência Pública)
(Reportagem Agência Pública)

Ruas no centro de Benjamin Constant e Cidade Nova, onde vivem familiares de Oliveira

Nas caçadas, disse o vizinho, Oliveira usava espingarda e armadilhas com pólvora e chumbo que são montadas na mata e acionadas pela passagem do animal. O vizinho disse que não esperava a prisão e que não acredita que Oliveira tenha cometido crime contra Bruno Pereira e Dom Phillips porque “era pacato, tranquilo”. Disse que Oliveira tinha uma espingarda, mas não a exibia na rua ou em bares. Disse ainda que nunca viu Oliveira com um fuzil — a polícia disse ter apreendido com ele uma munição de fuzil.

Agência Pública ouviu de outros moradores que é comum na cidade a venda, inclusive em barracas instaladas a céu aberto em determinados pontos, de animais silvestres abatidos na região. Essa cena parece ter sumido nos últimos dias devido à presença de policiamento nos rios à procura dos desaparecidos.

Na casa indicada por Oliveira moram o pai, Otávio Oliveira dos Santos, e a madrasta, que disse se chamar Saíra. Ela afirmou que seu marido viajou há dois dias para Atalaia do Norte — que fica a cerca de 40 minutos de carro de Benjamin Constant — a fim de acompanhar a situação do filho preso. Segundo Saíra, ela não consegue contato telefônico com o marido porque a telefonia na região está muito ruim. Ela disse que está casada há oito anos com Otávio e indicou a vizinha ao lado, que se identificou como Maria, como uma “comadre” que poderia falar mais sobre Oliveira.

Maria disse que ficou surpresa com a notícia da prisão e que conhece Oliveira há 10 anos como sua vizinha mais próxima. “A gente não acredita, parece um sonho, um pesadelo”, disse Maria. Ela afirmou não ter nenhuma informação sobre Oliveira ter sofrido violência policial porque só sabe “o que está saindo no jornal” das emissoras de televisão.

Ontem, o Jornal O Globo noticiou que uma testemunha considerada chave na investigação teria afirmado que o suspeito seria conhecido por ser “muito perigoso” e havia prometido “acertar contas” e “trocar tiros” com Bruno Pereira. Além disso, a testemunha teria dito que viu Amarildo carregar uma espingarda e fazer um cinto de munições e cartuchos pouco depois que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips deixaram a comunidade São Rafael com destino à Atalaia do Norte, na manhã do último domingo.

Hoje, segundo noticiou o G1 Amazonas, as buscas pelo indigenista Bruno Pereira e pelo jornalista britânico Dom Phillips passaram a se concentrar em uma área abaixo da “Comunidade Cachoeira”, em Atalaia do Norte. Voluntários disseram às equipes de busca que encontraram sinais de escavação às margens do Rio Itacoaí, local onde Bruno Pereira e Dom Philips foram vistos navegando.

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Empreendedorismo: criar um site ou focar nas mídias sociais?

(Imagem ilustrativa/Freepik)

Segundo o levantamento realizado pela Neotrust, empresa responsável pelo monitoramento do e-commerce no Brasil, em 2021 o ganho com as vendas online totalizou mais de R$ 161 bilhões, um crescimento de 26,9% comparado ao ano anterior.

Seja venda pelo site ou redes sociais, o e-commerce brasileiro tem um faturamento enorme, e é uma ótima oportunidade para empreendedores. Porém, sempre há dúvidas sobre qual meio investir, principalmente àquelas pessoas que estão iniciando.

Qual caminho seguir no empreendedorismo online? 

Investir nas redes sociais ou na criação de site depende do seu objetivo, além de vender. Os dois possuem vantagens. Confira:

– Redes sociais: 

São ferramentas gratuitas, e dão mais opções de interação e proximidade com seu público. É possível postar vídeos, fotos, posts escritos, stories, podendo trazer conteúdos sobre o seu serviço ou produto e se posicionar no mercado. 

Desta forma, é possível causar impacto, chamar atenção para o seu perfil e criar um relacionamento com os clientes, fazendo com que eles se engajem na sua marca.

Para aqueles que estão começando no empreendedorismo, essa é uma excelente opção para fidelizar os consumidores e fazer com que sua marca seja conhecida. 

– Site:

Mesmo que as redes sociais tenham um papel fundamental na estratégia de marketing digital para as empresas. O site ainda traz mais autoridade para o negócio, ele é mais personalizável e profissional. 

Com o site você é o proprietário do domínio, possui selos de segurança, certificados SSL, entre outros. Fazendo com que ele seja mais confiável para compras. 

E ainda, é possível que o consumidor encontre diversas informações sobre o seu negócio em um só lugar, com informações mais completas, e permite que ele realize a compra de serviços e produtos a qualquer momento, visto que fica aberto 24 horas por dia. 

Site ou redes sociais: por que não ter os dois? 

Empreender na internet hoje em dia é um dos principais meios para atrair e conquistar clientes. Com as redes sociais e um site você possibilita que as pessoas conheçam o seu trabalho e que elas possam pesquisar os seus produtos e comparar preços. 

Além disso, é possível integrar sua página no site, ou então divulgar o site nas redes, otimizando ainda mais as plataformas em que você está presente. 

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Bahia Farm Show volta ao passado com a Praça do Museu

Ao lado da exposição de grandes maquinários, um novo espaço surpreendeu os visitantes da Bahia Farm Show. Quem chegou na praça do Museu, conheceu modelos de máquinas agrícolas antigas que ajudaram os produtores rurais, ainda na década de 80, no cultivo do campo. Para os visitantes, o contraste entre o novo e o velho ajuda as pessoas a entender a evolução tecnológica do segmento de máquinas. Dentre as máquinas e veículos expostos estão os tratores: Massey Ferguson 65, de 1989; Ford Golden Jubille, de 1953; Ford F600, de 1976; Fusca 1983; Opala Comodoro, 1982; Corsel Luxo 1969; Escort XR3,1989; Kombi luxo, 1969; Fusca 1300, 1977; Brasília, 1980. 

A exposição atraiu o público de várias idades. Ana Clara, 13, gostou de visitar a Praça do Museu com as relíquias dos apaixonados pelo setor agrícola. “Ficou um espaço bem bonito e que dá vontade de conhecer ainda mais como eles eram utilizados”, conta. Já o casal Armindo Klein e Maria Elaine Klein, ambos com 68 anos, voltaram no tempo.  “Na minha época de menino começou a sair os tratores mais ativos, CBT. Eu já tive Fusca e Brasília, por exemplo. Estou revivendo os momentos antigos. Espero que a exposição continue ”, diz Armindo Klein, que atua como mecânico. 

Praça do Museu Bahia Farm Show 2022 (Foto: Divulgação)

Cada veículo e máquina são parte da história pessoal dos expositores, e muitas vezes, refletem a história de quem visita. Ao encontrar na exposição um trator CBT 1105, Valdirenio Santos relembra da época que começou a carreira como operador, em 1992, nas lavouras do oeste baiano. “Comecei a trabalhar com essas máquinas mais antigas. Agora temos máquinas modernas, e muitas a gente só conhece aqui na feira. Então é muito bom a gente visitar a Bahia Farm, e comparar estas duas realidades”. A área da exposição de 1920 metros quadrados integra a área de ampliação da Bahia Farm Show.

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Primeiro Hospital do Câncer da Região Oeste é apresentado durante a Bahia Farm Show

Um dos expositores é o presidente da Bahia Farm Show, Odacil Ranzi, com o seu trator Ford 6.600, 1978, azul. Entusiasta do espaço, ele foi um dos articuladores para que os demais agricultores expusessem as suas relíquias. “São todos maquinários e veículos bem cuidados e de grande estima dos colecionadores. São bens adquiridos a muito custo e que foram utilizados por nossos pais, avós e nos ajuda a lembrar de onde viemos e o que conquistamos. Olhar esse espaço do museu dentro de uma feira de tecnologia me enche de orgulho”, reforça.

Praça do Museu Bahia Farm Show 2022 (Foto: Divulgação)
Praça do Museu Bahia Farm Show 2022 (Foto: Divulgação)
Praça do Museu Bahia Farm Show 2022 (Foto: Divulgação)
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Primeiro Hospital do Câncer da Região Oeste é apresentado durante a Bahia Farm Show

O lançamento do projeto do primeiro Hospital do Câncer da Região Oeste da Bahia foi realizado nesta quinta-feira (02), durante a 16ª edição da Bahia Farm Show. A proposta prevê oferecer atendimento oncológico para a macrorregião Oeste da Bahia com serviços de alta complexidade em uma estrutura própria que será construída em uma área de 18.200 m² no Parque da Cidade, em Barreiras.  No local serão atendidos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), de planos de saúde e da rede particular.

A ausência da assistência médica oncológica na região, foi um dos principais motivos que incentivaram a equipe do Rotary Club a iniciar o projeto. Atualmente os pacientes do Oeste cadastrados no SUS são encaminhados para tratamento na capital baiana, distante 900 km de Barreiras, o que dificulta o tratamento, principalmente das pessoas de baixa renda. O projeto arquitetônico foi elaborado por uma consultoria especializada na construção hospitalar.

Apresentação do primeiro Hospital do Câncer da Região Oeste durante a Bahia Farm Show (Foto: Divulgação)

 “Integram a equipe uma arquiteta e uma enfermeira, profissionais imprescindíveis para entender o funcionamento, a complexidade e as necessidades para chegar nesse modelo de hospital. Esta etapa é fundamental para que o hospital atenda a pré-requisitos de nos credenciar no SUS”, ressaltou a presidente do Instituto do Câncer do Oeste da Bahia (ICOB) e da Comissão de Projetos Comunitários do Rotary Club de Barreiras, Marizete Zution.

A primeira etapa da unidade está prevista para ser entregue no prazo de cinco anos, a depender dos recursos arrecadados para construção e estruturação. “Este hospital será um avanço necessário para o Oeste. O câncer é uma patologia que tem incidência que só se eleva, não temos estimativa com uma curva decrescente. O câncer de mama hoje é considerado uma epidemia mundial e temos altas taxas de mortalidade devido à falta de acesso aos meios de diagnósticos, ao especialista e aos tratamentos”, destacou a médica mastologista e conselheira do ICOB, Alba Dias.

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Bahia entra no oitavo mês consecutivo de redução de mortes violentas

A Bahia apresentou redução de 12,3% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) – homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte -, nos cinco primeiros meses do ano, comparado ao mesmo período de 2021. Com este número, divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) nesta quarta-feira (1º), o estado consolida a marca de oito meses consecutivos em redução.

Foram registrados 2.506 CVLIs em 2021, contra 2.199 em todo o estado, preservando 307 vidas entre 1º de janeiro e 31 de maio. Somente em maio, a Bahia registrou redução de 12,8%, com 65 vidas salvas pelas forças de segurança da SSP.

Na capital baiana, os índices apontaram um decréscimo de 14,3% nos CVLIs (610 em 2021 e 523 em 2022). Já no interior do estado, houve diminuição de 14,4% de crimes contra a vida, saindo de 1.624, em 2021, para 1.390, em 2022.

No acumulado do ano, o destaque no policiamento ficou com a Região Integrada de Segurança Pública (Risp) Leste, território que abrange grandes cidades como Feira de Santana, Serrinha, Euclides da Cunha e Cruz das Almas. Em números absolutos foram 97 casos a menos.

O secretário da Segurança Pública, Ricardo César Mandarino, destaca que o trabalho incansável da Polícia Militar e da Polícia Civil no combate às mortes violentas e ao tráfico de drogas tem sido fator importante para o alcance dos índices.

“Em 30 dias, as nossas forças policiais apreenderam cerca de R$ 15 milhões em drogas, fruto de operações que mostram que a nossa atuação segue firme no estado no combate ao tráfico e CVLIs. Não mediremos esforços para fechar o ano com essa sequência de reduções”, finalizou.

Fachada – Secretaria de Segurança Pública da Bahia (Foto: Kelly Hosana/SSP)
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Bahia Farm Show recebe visita do presidente Jair Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na Bahia Farm Show (Foto: Divulgação)

O presidente da república, Jair Bolsonaro (PL), visitou na tarde desta terça-feira (31) o complexo Bahia Farm Show e conheceu a estrutura da maior feira de tecnologia agrícola e negócios do Norte e Nordeste do Brasil. Acompanhado de perto por quem estava na feira, ele percorreu parte das ruas próximas aos estandes das máquinas e implementos agrícolas e das instituições financeiras. Ao lado do presidente da Bahia Farm Show e da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Odacil Ranzi, Jair Bolsonaro prestigiou o primeiro dia do evento, que prossegue aberto para a visitação do público até o sábado, dia 4, em Luís Eduardo Magalhães.

“Quero agradecer o convite por parte da organização da feira, em nome do senhor Odacil Ranzi, por esse momento importante para o agronegócio. Dizer a vocês que eu apoio o homem e a mulher do campo. São pessoas que trabalham de domingo a domingo, de sol a sol, para produzir em seu espaço de terra. O nosso agro é fantástico. A todos vocês da Bahia muito obrigado por essa oportunidade”, ressaltou Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro da agricultura, Marcos Montes.

Presidente Jair Bolsonaro durante visita à Bahia Farm Show (Foto: Divulgação)

Ao lado de outras lideranças do setor agrícola, como os presidentes das associações Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Busato, e Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Luiz Carlos Bergamaschi, Odacil Ranzi reforçou a importância desta visita, um momento de prestígio para a Bahia. “Bolsonaro é o primeiro presidente da República a visitar a Bahia Farm Show. É um momento histórico receber um presidente na capital baiana do agronegócio. Pedimos que sempre olhe com carinho e atenção para essa terra abençoada e que continue parceiro desse setor que gera o sustento para milhões de famílias brasileiras e contribui enormemente para a segurança alimentar mundial”, pontuou Odacil Ranzi. Também estiveram presentes os presidentes da Fundação Bahia, Ademar Marçal, e da Assomiba, Lilia Franciose, que integram as entidades que organizam a Bahia Farm Show.

Antes da visita, o presidente Jair Bolsonaro participou de ato simbólico, aberto para a população, e entregou títulos de terra aos moradores da região Oeste da Bahia. Nesta quarta-feira (1º), a partir das 10h, a Bahia Farm Show recebe os governadores da Bahia, Rui Costa, e do Tocantins, Wanderlei Barbosa, para a abertura oficial, na praça do coreto, em que deverão assinar um decreto que reafirma a demarcação da divisa entre os dois estados, considerado um marco para o agronegócio do Oeste da Bahia.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro na Bahia Farm Show (Foto: Divulgação)
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Governo da Bahia investe mais de R$ 180,8 milhões na saúde da região oeste

Nos últimos 15 anos, o oeste da Bahia viu o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (Sesab), levar saúde para quem mais precisa. Somente no período entre 2007 a 2022, mais de R$ 180,8 milhões foram investidos na região, que compreende o território da Bacia do Rio Grande, composto por 14 municípios, e o território da Bacia do Rio Corrente, com 11 cidades consorciadas.

Nos municípios de Angical, Baianópolis, Barreiras, Buritirama, Catolândia, Cotegipe, Cristópolis, Formosa do Rio Preto, Luís Eduardo Magalhães, Mansidão, Riachão das Neves, Santa Rita De Cássia, São Desidério e Wanderley, foram investidos mais de R$ 119,9 milhões, sendo que, somente de obras, o montante ultrapassa os R$ 49,3 milhões. Nesse período, a região foi contemplada com diversas obras de ampliação, construção de novas alas hospitalares, Unidade de Pronto Atendimento e Policlínica Regional de Saúde, além de um Hemocentro.

Unidade de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital do Oeste (Foto: Manu Dias/GOVBA)

No município de Barreiras, por exemplo, os investimentos em saúde mudaram a vida de milhares de baianos, garantindo atendimento de qualidade e acesso a tratamentos específicos que antes eram encontrados somente na capital. O Hospital do Oeste recebeu novas alas, representando um aporte de peso para a saúde de toda a região, além da entrega da nova Radioterapia e reforma do Bloco Oncológico da unidade e da Casa da Gestante, Bebê e Puérpera. “Trabalhamos de forma incessante para garantir atendimento de qualidade para toda a população, e na região oeste não tem sido diferente. Com essas últimas entregas, o complexo do Hospital do Oeste passa a ter ainda mais estrutura para oferecer atendimento oncológico, trazendo mais conforto ao paciente que, a partir de agora, pode realizar o tratamento perto de casa, sem se deslocar para outros municípios”, destaca a secretária da Saúde do Estado, Adélia Pinheiro.

E os investimentos na Bacia do Rio Grande não param por aí. Somente para a compra de ambulâncias e equipamentos, foram destinados mais de R$ 10,1 milhões, que garantiram a entrega de 48 veículos e diversos equipamentos de saúde para toda a região.

Os investimentos também são expressivos nos municípios de Brejolândia, Canápolis, Cocos, Coribe, Correntina, Jaborandi, Santa Maria da Vitória, Santana, São Felix do Coribe, Serra Dourada e Tabocas do Brejo Velho, que compõem o território da Bacia do Rio Corrente. A região recebeu um total de mais de R$ 60,8 milhões em investimentos, entre construção de unidades por meio de convênios, reformas, equipamentos, ambulâncias e uma Policlínica Regional de Saúde, localizada em Santa Maria da Vitória. “Somente na policlínica, o investimento foi superior a R$ 29,3 milhões, sendo mais de R$ 13,4 milhões em obras físicas e R$ 15,9 milhões em equipamentos e veículos. O espaço oferece atendimento em diversas especialidades médicas, além da realização de exames, como ressonância magnética, tomografia computadorizada, entre outros”, completa Adélia Pinheiro.

Ao todo, foram destinadas 70 ambulâncias para os municípios da região que, juntamente com os equipamentos de saúde, somam um aporte de mais de R$ 9,2 milhões.

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Governo da Bahia investe em tecnologia e estruturas para ampliar segurança no oeste da Bahia

Câmeras modernas que ajudam a localizar criminosos e carros com restrição de roubo, sistemas que contribuem para que a polícia devolva smartphones roubados, furtados ou extraviados aos seus donos e modernas estruturas estão sendo implantadas pelo Governo do Estado, na região Oeste da Bahia.

Até o final deste ano, as câmeras inteligentes de videomonitoramento funcionarão nas cidades de Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Santa Maria da Vitória e Ibotirama, representando um investimento de R$ 665 milhões. Outra novidade em funcionamento no Oeste é o Alerta Celular. A tecnologia facilita a identificação de aparelhos furtados, roubados ou extraviados. Após registro do aparelho no site alertacelular.ssp.ba.gov.br, caso o celular seja alvo de criminosos, assim que ocorra a recuperação, o bem é devolvido ao proprietário.

(Foto: Paula Fróes/GOVBA)

Modernização das estruturas de segurança

Parte do pacote de modernização das estruturas da Secretaria da Segurança Pública (SSP), as Polícias Militar e Civil atuarão lado a lado em duas obras que estão em andamento nos municípios de Santa Rita de Cássia e Santa Maria da Vitória.

Em Santa Rita de Cássia, onde vivem cerca de 28 mil pessoas, mais de R$ 2,3 milhões foram investidos para a construção de uma nova Delegacia Territorial (DT) e um Pelotão da PM.
Já no município de Santa Maria da Vitória, as obras de construção das sedes de uma Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) e de uma Coordenação Regional de Polícia do Interior (Coorpin) estão a todo o vapor, com um investimento de R$ 5,1 milhões.

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Governo da Bahia amplia serviços de saneamento em cidades-pólo do Oeste

Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, vêm recebendo constantes investimentos para ampliar a cobertura em abastecimento de água e esgotamento sanitário. Nos últimos dez anos, os dois municípios receberam investimentos que os levaram ao ranking dos mais saneados da Bahia.

Cidade-sede da Bahia Farm Show, maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste, que será realizada entre os dias 31 de maio e 5 de junho, Luís Eduardo Magalhães tem muito a comemorar quando se trata de saneamento básico. No ano passado, o Governo do Estado, por meio da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), vinculada à Secretaria de Infraestrutura (Sihs), inaugurou empreendimentos em saneamento no município que somaram R$ 11 milhões. Os recursos foram destinados para a construção do novo Centro de Reservação do sistema de água, localizado no bairro Jardim das Acácias, e para a estação de bombeamento de esgoto, no bairro Conquista, que vem beneficiando oito mil pessoas com coleta e tratamento dos esgotos domésticos.

Luís Eduardo Magalhães (Foto: Fernando Vivas/GOVBA)

No total, o Estado investiu R$ 28,2 milhões em melhorias na operação e expansão do Sistema de Esgotamento Sanitário (SES), garantindo que Luís Eduardo Magalhães se tornasse, em quase dez anos (2014 -2022), uma das cidades mais saneadas da Bahia. Esses investimentos possibilitaram que o atendimento saltasse de 0% para cerca de 70% após o início da operação do sistema, em 2014.

Em relação à água tratada, os esforços se concentram para acompanhar o acelerado crescimento imobiliário e garantir o abastecimento para toda a cidade. Nos últimos anos, houve um incremento de 78,7% no atendimento da cobertura de água em Luís Eduardo Magalhães, com quase 10 mil novos domicílios atendidos. Foram mais de R$ 10 milhões investidos em todo o sistema, com perfuração de novos poços da captação, instalação de estações de bombeamento e na ampliação da estrutura da reservação e da rede distribuidora.}

Recentemente, o Governo do Estado anunciou a previsão de recursos de R$ 30 milhões para a execução, por parte da Embasa, da segunda etapa de ampliação do sistema de abastecimento, e mais R$ 15 milhões, para ampliação do sistema de esgotamento sanitário. A empresa atende 45 mil imóveis, contemplando cerca de 92.671 mil moradores com água tratada na sede de Luís Eduardo Magalhães, atingindo 100% da população.

Barreiras (Foto: Mateus Pereira/GOVBA)

Polo regional – Já o município de Barreiras, dentro da área de abrangência da Bahia Farm Show, também tem recebido a devida atenção quando se trata das expansões e melhorias nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Atualmente, a Embasa vem trabalhando para beneficiar mais 20 mil pessoas dos bairros Barreirinhas, Morada Nova, Morada da Lua e parte do São Sebastião, com a prestação do serviço de esgotamento sanitário. A obra conta com investimento total de R$ 8,7 milhões, e abrange a implantação da rede e a construção de duas estações para bombear os esgotos coletados destes bairros para tratamento. A previsão é que as intervenções sejam concluídas ao longo de 2022.

O sistema de esgotamento sanitário de Barreiras passou por uma modernização significativa, com a construção de novas estações de tratamento e de bombeamento de esgoto e ampliação da rede. A intervenção foi entregue no final de 2016, depois de investidos R$ 113,3 milhões, tornando-se em pouco tempo uma das cidades mais saneadas da Bahia. Nos último seis anos, o Governo e a Embasa investiram R$ 124 milhões na cidade, que já conta com uma cobertura de 72% de esgotamento sanitário.

No caso da água tratada, nos últimos seis anos (2016-2021), foram investidos cerca de R$ 12 milhões, na ampliação e melhorias para garantir a melhor prestação de serviço aos barreirenses. Nesse período, 11.071 novos imóveis/ligações foram beneficiados com água tratada e canalizada, um incremento de 21,78% no número de ligações. Entre as obras de destaque, R$ 4,5 milhões foram destinados para ampliar em 50% a capacidade da estação de tratamento, saindo de 325 para 487 litros/segundo, garantindo maior eficiência no tratamento e na qualidade da água.

A partir de 2020, três mil pessoas passaram a ser beneficiadas com água tratada, a partir do investimento de R$ 3,7 milhões na ampliação do sistema de abastecimento de água nas localidades do Barrocão de Baixo, Barrocão de Cima, Gameleira, Bebedouro e Passagem Funda, na zona rural de Barreiras. Com dois sistemas de abastecimento em operação, que captam água do Rio de Ondas e do Rio Grande, a Embasa presta serviço de abastecimento para 100% da sede municipal e em 26 localidades da zona rural. No total, são 61,8 mil ligações e 150 mil habitantes beneficiados.

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Governo da Bahia entrega unidade de beneficiamento de leite e Detran em Santana

Os moradores de Santana, município localizado na região oeste da Bahia, vão contar com melhor infraestrutura nas áreas da agricultura familiar, serviços e educação. Em visita à cidade, neste sábado (14), o governador Rui Costa (PT) entregou uma unidade de beneficiamento de leite e uma unidade regional do Detran. Ele também visitou as obras de uma nova escola e uma feira de agricultura familiar, entre outras atividades.

Com capacidade de processamento de 1.500 litros de leite por dia, o Laticínio da Agricultura Familiar Padre Aldo Luchetta está pronto para pasteurizar o produto e produzir iogurte e manteiga. A obra de requalificação do espaço foi coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e contou com investimento de R$1,2 milhão. O projeto foi viabilizado através de convênio firmado entre a prefeitura e o Governo do Estado. Mais de 130 famílias trabalham na unidade, porém o número pode chegar a 250 com a ampliação estrutural. “Esse é um equipamento importante para a produção de laticínios e derivados e a geração de empregos. Com isso, queremos estimular novos produtores de leite na região, que já tem uma vocação natural para esta atividade”, declarou o governador.

Outro compromisso da agenda de Rui no município foi a visita a 7ª edição da Expo Santana, evento que conta com o apoio financeiro da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) por meio de convênio entre a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e a prefeitura. Com uma programação diversificada, a iniciativa traz informações e novidades para as cadeias produtivas da piscicultura, cana de açúcar, apicultura e leite, além de oferecer oficinas, seminários e palestras para orientação aos agricultores familiares e empresários. A programação inclui ainda a 4ª edição da Feira da Agricultura Familiar e 4ª Feira de Inovação e Tecnologia para o Desenvolvimento Integrado, que contou com apoio da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC).

(Foto: Mateus Pereira /GOVBA)

‘Santana Sustentável’

Ainda na área da agropecuária, foi lançado neste sábado o programa “Santana Sustentável”, que incentiva pessoas que já trabalharam nas atividades rurais, mas migraram para o perímetro urbano da cidade, a retornarem à atividade de origem. Uma das estratégias para este fim foi a criação de uma horta urbana experimental, que pretende ser a primeira de outras hortas. A execução do projeto, que custou R$ 550 mil, está sob a gestão da CAR, que também recebeu autorização para firmar convênio com a gestão municipal para a aquisição de caminhão tanque de leite.

A vocação do município para atividades do setor agropecuário e o apoio a pequenos produtores foi pontuada pelo secretário da SDR, Jeandro Ribeiro. “Importante destacar que Santana é um município que dá um destaque especial à agricultura familiar e é um parceiro incondicional do governo na área. Tanto, que o município recebeu recentemente um prêmio de ‘Prefeitura Parceira da Agricultura Familiar’. Hoje foi lançado ainda o ‘Santana Sustentável’ que vai garantir suporte técnico das escolas agrícolas a quem retornar à atividade rural. Isso tudo se soma ao investimento que o Governo da Bahia vem fazendo na área da Agricultura Familiar, são R$ 2,9 bilhões aplicados nos últimos sete anos, o que vem mudando a realidade da agricultura familiar na Bahia para melhor.”

A outra inauguração do dia visa facilitar a vida dos motoristas da região, que agora passam a contar com uma unidade regional do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), a 3ª Retran Santana. Serviços como emissão de documentos, transferência de propriedade, vistoria, desalienação e alienação de veículos, agora podem ser realizados na cidade. Já na área da segurança pública, o governador anunciou que o município vai poder contar com uma unidade integrada das polícias Civil e Militar, que será licitada pela Secretaria de Segurança Pública.

Infraestrutura educacional

Rui visitou também as obras do Complexo Esportivo que irá sediar a Escola de Tempo Integral da Bahia – Santana, em substituição aos Colégios Estaduais João Muniz e Edvaldo Flores. Com investimento de quase R$ 21 milhões do Governo do Estado, e previsão de conclusão em ainda neste semestre, a nova unidade de ensino atende a um padrão de escola modelo e contará com 34 salas de aula, biblioteca, laboratórios, sala multifuncional, auditório, quadra poliesportiva, campo de futebol society com arquibancada, pista de atletismo e piscina semiolímpica.

Outras autorizações na área educacional foram anunciadas, como um convênio da SEC com a prefeitura para reforma e ampliação da Escola Municipal Antônio Carlos e da Escola Estadual Salvador da Rocha Passos.

Água para Todos

Na área de abastecimento de água, foi assinada uma ordem de serviço para construção do Sistema de Abastecimento de Água das localidades de Umburanas, Cipó, Missão e Utinga. As obras serão coordenadas pela Companhia de Engenharia Hídrica e Saneamento (Cerb), vinculada à Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento do Estado (Sihs). A Embasa recebeu autorização do governador para licitar o projeto de implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Santana, além do projeto para implantação do mesmo sistema, no distrito de Porto Novo.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano (Conder) recebeu autorização para pavimentar diversas ruas do município. A mobilidade também vai ganhar reforço com pavimentações que serão licitadas. É o caso da Rodovia BA-575, no trecho Porto Novo – Entroncamento da BA-172, em Santana, no valor de R$ 26 milhões e de um aeródromo, com pista de pouso. O município será contemplado ainda com a construção de um novo terminal rodoviário. A gestão das obras fica a cargo da Secretaria de Infraestrutura.

Saúde e esporte

A Secretária da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) foi autorizada a formalizar cessão de uso de aparelho de ultrassonografia, destinado ao Hospital Municipal Antonio José, no município de Cristópolis, que também receberá um kit odontológico. Já a Superintendência de Desportos (Sudesb), foi autorizada a firmar convênio com a prefeitura para a reforma do Estádio Municipal Edson Alkimin da Cunha.

*Com informações da Secom

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Tinder faz campanha contra LGBTfobia, mas continua a banir perfis de pessoas trans

Por Augusta Lunardi

Dar match. Arrastar pro lado. Desfazer o match. Dar um super like. Marcar um date. Um vocabulário ‘descolado’, criado em aplicativos de encontro, que acabaram se popularizando e se expandindo pro dia a dia dos jovens. Assim como os neologismos, a prática de utilizar aplicativos de relacionamento para conhecer novos parceiros se tornou comum. O Brasil é o terceiro país do mundo em número de usuários do Tinder, um dos apps de relacionamento mais populares. Utilizado por pessoas de diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, o Tinder vêm sendo acusado por usuários de não oferecer o mesmo tipo de tratamento para todos. A Agência Pública ouviu relatos de pessoas trans que teriam sido banidas do Tinder por um único motivo: transfobia.

Estas exclusões estariam ocorrendo de forma compulsória, segundo os relatos, há pelo menos seis anos no Brasil, sem que a plataforma esclareça o motivo do bloqueio ou dê a chance da usuária ou do usuário apresentar algum tipo de defesa antes de ser banida. As pessoas ouvidas pela Pública relataram que foram excluídas automaticamente do aplicativo porque tiveram seus perfis denunciados por vários usuários apenas por suas identidades de gênero. Isso acontece porque o algoritmo do aplicativo permite a exclusão automática de um perfil que receba muitas denúncias.  

O Tinder não oferece atualmente nenhuma opção em seu app que impeça usuários de serem banidos injustamente. Não há no aplicativo, tampouco, opções disponíveis que permitam denunciar o perfil de um usuário por sua identidade de gênero. As “Regras da comunidade“, são claras: “Se você for honesto, educado e respeitoso com os outros, será sempre bem-vindo aqui. Se você decidir não ser, talvez não dure muito tempo. […] Se você violar qualquer uma dessas políticas, poderá ser banido do Tinder. Sério, não nos faça deslizá-lo para a esquerda — pois não há volta depois que o fizermos. Recomendamos que você denuncie qualquer comportamento que viole as nossas políticas, além de conferir as nossas Dicas de Segurança.”

As categorias sob as quais as denúncias podem ser apresentadas incluem: “Nudez/Conteúdo sexual; Assédio; Violência e agressão física; Discurso de ódio; Informações privadas; Spam; Promoções e convites; Prostituição e tráfico; Golpes; Falsificação de identidade; Menores [de idade]; Violações de direitos autorais e marcas comerciais; entre outros”. Apesar disso, segundo Adda Lygia Rissope, designer de moda que usa o Tinder há seis anos na cidade de São Paulo, não é preciso passar muito tempo no aplicativo para perceber que algumas regras como “Nudez/conteúdo sexual” ou “Falsificação de identidade” são frequentemente infringidas. “Eu vejo muitos perfis falsos, com descrições sexuais ou eróticas ou com fotos de homens “pelados”, insinuando órgãos sexuais “marcando” na cueca… e o perfil dessas pessoas não é bloqueado”, comenta.  

Segundo as mulheres trans ouvidas pela reportagem, as agressões e discursos de ódio proferidos por alguns usuários também são recorrentes. Todas relataram terem sido ameaçadas ou ofendidas com comentários transfóbicos. “Se eles [outros usuários] se comportam mal, por que nós é que somos banidas?”, diz Erika Banson, estudante em zootecnia na UFERSA, em Mossoró (RN). Usuária do Tinder há 7 anos, ela diz ter perdido as contas de quantas vezes teve seu perfil bloqueado sem qualquer esclarecimento da plataforma. “Eu nunca entendi o porquê. Tentava recorrer, mas não obtinha nenhuma resposta do Tinder. Só informavam que eu havia infringido as regras da comunidade. Que comunidade é essa, que não aceita pessoas trans?”, questiona.

A cada vez em que era banida, depois de perder todos os seus “matches” e conversas, Erika não tinha escolha a não ser a criar novos e-mails, comprar chips de celular ou até mesmo pedir o número de telefone de amigos e familiares para criar novas contas para usar o aplicativo. Com o tempo, a estudante passou a omitir a informação sobre seu gênero na descrição do seu perfil no Tinder. “Se eu colocasse essa informação, minha conta caía em poucos dias”. Erika explica que teve que aprender uma “técnica” com outras amigas trans, que também se queixavam do mesmo problema: após “dar um match” com um homem, ela mantinha conversas com o mesmo apenas por Whatsapp, e excluía o “match” do Tinder para só então revelar, fora do aplicativo, sua identidade de gênero. “Assim, não corria o risco do cara ficar bravo e denunciar minha conta”. 

Bruna Benevides, secretária política da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), afirma que a entidade recebe, desde 2016, este tipo de ocorrência da parte de mulheres trans. “É um problema público, notório e recorrente”, diz. De acordo com relatos recebidos pela ANTRA, Bruna afirma que o Tinder “não tem atuado para coibir essas ações discriminatórias e também não tem assegurado que mulheres trans e travestis possam reaver os perfis após algum tipo de contestação”. “São banidas e acabou. Não há justificativa, apenas respostas automáticas”.

Em fevereiro de 2021, a ANTRA entrou em contato com o Tinder Brasil relatando o problema. A empresa prometeu ajustes e uma melhoria da plataforma, mas, por hora, os relatos de pessoas trans com contas banidas persistem. “Não acredito que estas empresas estejam interessadas em manter ativas as contas de pessoas trans, sobretudo das que reclamam e vão atrás de seus direitos. Essa automação de contas banidas tira a responsabilidade dessas empresas, é uma forma de blindagem. A culpa é sempre do algoritmo”, completa. 

Apesar de mulheres trans relatarem com mais frequência problemas com o Tinder, alguns homens trans não foram poupados do algoritmo apontado como discriminatório. “Tenho a impressão de que não somos um alvo tão forte quanto as mulheres trans, porque nós não temos que lidar como homens cis héteros e transfóbicos”, comenta Lucas*, professor de história em Porto Alegre. Ele conta que se inscreveu pela primeira vez no Tinder em 2017, antes de se assumir publicamente como um homem trans. Poucos dias após ter iniciado a transição de gênero e mudança de nome, seu perfil foi, segundo ele, injustamente excluído.

Após o ocorrido, Lucas optou por não usar mais aplicativos de encontro por alguns anos. “Fiquei com raiva, me senti frustrado e indignado. Já tem tanta gente nesse mundo nos dizendo que a gente não deveria existir. Esse foi só mais um recado. A raiva que eu sinto geralmente vem de outros lugares, e ser bloqueado num aplicativo por minha identidade de gênero só reforça uma raiva anterior”, explica. À época, Lucas escreveu um e-mail ao suporte da plataforma, mas obteve apenas uma resposta automática em inglês informando que sua solicitação havia sido recebida. Durante a pandemia, o professor conta que decidiu entrar no Tinder novamente, desta vez com um novo e-mail, e que até agora não teve problemas com denúncias ou bloqueio de sua conta.

Usuários relatam depressão e constrangimento após bloqueios no app

Para a jornalista Elli Cafrê, as experiências no Tinder como homem gay cis e, agora, como mulher trans, são totalmente diferentes. Ela começou a usar o app de encontro em 2015, antes de sua transição de gênero, na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Elli conta que a conversa não tomava rumos sexuais logo no começo. “Hoje mesmo, eu dei um match com um cara e as duas primeiras frases do cara foram: ‘Oi, você quer fazer um sexo gostoso?’. Eu respondi, brincando: ‘Caramba, que rápido! Eu queria pelo menos uma coca-cola antes!’. É comum eles perguntarem logo de cara onde eu estou, se moro sozinha ou se tenho um lugar discreto pra gente transar”, lamenta.

Adda Lygia conta que já teve doze perfis excluídos e que, em média, consegue ficar apenas duas semanas no aplicativo sem que sua conta seja banida. O último episódio teria acontecido em fevereiro deste ano, quando viajou ao Rio de Janeiro com amigas. “Pensei que ia morrer de angústia e tristeza quando vi que tinha acontecido de novo”, relata a designer, com a voz embargada. 

Assim como Elli e Adda Lygia, muitas mulheres entrevistadas nesta reportagem relataram continuar usando outros aplicativos de encontro pela falta de oportunidade de conhecerem parceiros em locais públicos, pela objetificação de seus corpos e pela falta de relações de afeto em seus cotidianos. “Por mais que a gente passe por situações violentas e discriminatórias no Tinder, ele ainda é nossa única possibilidade de talvez encontrar alguém que goste da gente e que nos respeite. É uma situação de dependência muito perturbadora”, desabafa Adda Lygia. A designer não tem usado mais o Tinder, e afirmou para a reportagem que pretende prestar queixa contra a empresa na Delegacia de Crimes Virtuais da Cidade de São Paulo por discriminação e transfobia.

Elli iniciou sua transição de gênero entre 2017 e 2018. Desde então, passou a informar em seu perfil do Tinder sua identidade de gênero: uma mulher trans. “Sempre tive medo de que a pessoa descubra no momento do encontro e que eu sofra alguma violência. Na verdade, mesmo colocando essa informação no meu perfil, eu tenho medo”. No início de sua transição hormonal, ela conta que teve seu perfil bloqueado três vezes. Na terceira vez, Elli decidiu entrar em contato com o aplicativo questionando o bloqueio de sua conta e denunciando a transfobia dos usuários do Tinder. “Muitos homens me denunciavam porque buscavam mulheres e se deparavam com um corpo, na concepção deles, de um homem. Eu ainda tinha o cabelo curto, o corpo muito masculino”, conta.

(Imagem: Reprodução)
“Fui bloqueada não por minhas atitudes, mas por quem ser quem eu sou”, afirma Elli (Imagem: Reprodução)

Elli recebeu uma resposta da plataforma poucos dias depois da reclamação e teve seu perfil reativado. “Não adianta desbloquear nossa conta. O pior de tudo é a humilhação e o constrangimento de ser banida. Mesmo sendo educada e correta, eu fui bloqueada não por minhas atitudes, mas por quem ser quem eu sou. E é esse constrangimento que machuca tanto”, enfatiza a jornalista. “Se muitos homens me denunciam, por pura intolerância de gênero, e o Tinder me expulsa do aplicativo sem investigar por que motivo estão me denunciando, a empresa está concordando com o fato de que não sou uma mulher de verdade. E isso é uma questão grave de transfobia”.

Após cada episódio, Elli Cafrê conta que sofreu períodos de depressão e chegou a ter pensamentos suicidas. “A transição hormonal já mexe muito com a nossa cabeça. Eu já estava fragilizada, já me sentia uma ‘coisa’. E no mundo virtual, também ser tratada como uma aberração… isso me fazia muito mal”. Ela decidiu parar de usar aplicativos de encontro por alguns meses numa tentativa de recuperar sua saúde mental. “A solidão é uma constante na vida das mulheres trans, até mesmo para aquelas que se prostituem. Aplicativos de encontro acabam sendo como pequenas doses de droga. Parece que nos fazem bem, mas só nos afundam mais”, completa.

Nas redes sociais, Tinder faz campanhas contra LGBTfobia

Apesar do assunto ser pouco abordado no Brasil, o algoritmo do Tinder apontado como discriminatório não é uma particularidade brasileira. Reportagens publicadas pelo site The IndependentBBC News e Teen Vogue mostram que o problema vem sendo alertado por usuários trans desde 2017. Diferentemente da versão brasileira, o aplicativo em inglês informa ao usuário quais regras dos termos de uso foram violadas e o motivo pelo qual ele foi banido.

No Brasil, a artista performática Romagaga publicou um vídeo em seu Twitter em julho de 2020, relatando ter dificuldades para manter uma conta no Tinder por muito tempo e levantando a hashtag #TinderTransfobico. Ela afirma ter feito diversas publicações sobre a questão desde 2018 em suas redes sociais. “Ninguém me dava voz”, conta. “A gente já é apedrejada desde pequena. Não temos direito a nada. Estou cansada. Não é só sobre um aplicativo, é sobre ter direitos iguais”.

Diante da repercussão do vídeo na rede social, a hashtag #TinderTransfobico reuniu dezenas de relatos de pessoas trans passando pelo mesmo tipo de situação. Três dias após o desabafo da artista, a empresa se pronunciou pelo Twitter, reconhecendo que “as pessoas da comunidade de Travestis e Trans enfrentam desafios”, e prometendo “trabalhar duro” para melhorar a experiência do app para estes usuários. 

No trend da mesma publicação, o Tinder Brasil informou ainda: “Qualquer pessoa que acredite que sua conta foi removida indevidamente devido a denúncias por conta da sua identidade de gênero pode entrar em contato conosco pelo e-mail questions@gotinder.com e nossa equipe analisará a solicitação”.

O tuíte provocou a indignação de alguns usuários:

Usuárias e usuários do Tinder relatam transfobia nas redes sociais (Reprodução/Twitter)

A nota também anunciava o lançamento de ferramentas ampliando a orientação sexual e a diversidade de gênero de seus usuários, prometendo que o recurso ajudaria a “monitorar de perto as contas de pessoas da comunidade que estejam sendo alvo de denúncias infundadas”. Lançado em outubro de 2012 nos Estados Unidos e em 2013 no Brasil, esse recurso foi disponibilizado somente em 2020. Até então, a plataforma oferecia apenas duas opções — homem ou mulher. Ou seja, pessoas trans e não-binárias não podiam se identificar corretamente.

Apesar dos relatos de transfobia terem começado a vir a público em 2016, o Tinder só começou a criar campanhas sobre pautas LGBTQIA+ em suas redes sociais em 2020.  Desde então, fotos e vídeos sobre temáticas de gênero, orgulho LGBT e transfobia ocupam grande parte das postagens da página.

Em fevereiro deste ano, o Tinder Brasil lançou uma websérie de seis episódios com a artista trans Danny Bond, para a campanha de verão de 2022 do Tinder. Uma vez por semana, vídeos da rapper foram publicados abordando temas como padrões de beleza, segurança dos usuários, racismo e transfobia. Nos comentários de todos os vídeos e fotos publicados sobre a temática, a reportagem identificou mensagens de usuários acusando o aplicativo de transfobia ou relatando o bloqueio de suas contas.

(Reprodução/Instagram)
(Reprodução/Instagram)
Campanhas do Tinder contra LGBTfobia no Instagram (Reprodução/Instagram)

Para Romagaga, as campanhas criadas nas redes sociais do Tinder Brasil são uma “atitude hipócrita”. “Eles usam nossa bandeira LGBT, pagam artistas trans pra fazer publicidade. Mas na prática, não fazem nada. É isso que me revolta. Falam que são a favor dos direitos LGBTQIA+ e continuam nos banindo da plataforma”, lamenta a artista.

Para Bruna, o fator discriminatório se configura na reação desproporcional dos usuários. “Essas mulheres estão sendo denunciadas por serem quem são. O único ‘crime’ que elas estão cometendo é ser trans. A identidade de gênero dessas mulheres é determinante para que usuários homens decidam, intencionalmente, que elas devam ser penalizadas e excluídas da plataforma”, explica a pesquisadora. Para Bruna, são homens que possuem “masculinidade frágil” e reagem de forma revanchista, como uma tentativa de afastar o desejo que sentem por mulheres trans. “Afinal, se ele deu match, é porque se sentiu atraído”, conclui.

É justamente este paradoxo entre desejo e ódio que posiciona o Brasil nas primeiras posições na lista dos países que mais consomem pornografia trans, e, paralelamente, o que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em 2019, o site de pornografia PornHub apontou que os brasileiros são também 98% mais propensos a assistir vídeos pornográficos com pessoas trans, em comparação aos outros países. Um levantamento realizado pela ANTRA mostra que, somente em 2021, 140 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. Com isso, o país ocupa o topo do ranking dos mais violentos para essa população pelo 13º ano consecutivo. Como não há dados oficiais sobre a população trans brasileira, a pesquisa foi construída com base em informações encontradas em órgãos públicos, organizações não-governamentais, reportagens e relatos de pessoas próximas das vítimas.

Agência Pública entrou em contato com o Tinder Brasil que preferiu responder os questionamentos da reportagem por meio de nota. Apesar dos relatos ouvidos pela reportagem, a plataforma negou que o banimento por identidade de gênero ocorra. O aplicativo também compartilhou um formulário que pode ser preenchido por pessoas que acreditem que tiveram contas banidas indevidamente. Leia a nota publicada na íntegra:

“O Tinder não tolera qualquer forma de discriminação e não bane membros por conta de sua identidade de gênero. Se determinarmos que houve discriminação ou que uma denúncia mal-intencionada foi feita, tomaremos as medidas apropriadas nas respectivas contas.

As plataformas online estão suscetíveis aos preconceitos e estigmas que as comunidades em situação de maior vulnerabilidade enfrentam na sociedade, e o Tinder reconhece o papel que tem de ajudar no apoio à segurança de todos os seus membros. Temos trabalhado em conjunto com organizações líderes nesse espaço –incluindo a FONATRANS e a ABGLT no Brasil– em nossos esforços contínuos para criar uma plataforma equitativa, respeitosa e que promova um ambiente onde as pessoas possam se conectar e se conhecerem de forma segura. 

Qualquer pessoa que acredite ter tido sua conta no Tinder indevidamente banida pode entrar em contato com nossa equipe de atendimento ao cliente por meio deste formulário.”

*O nome foi alterado a pedido da fonte.

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Pacto pela Democracia divulga nota em defesa do processo eleitoral brasileiro

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e outras organizações que integram o Pacto pela Democracia assinaram, nesta terça-feira (10.mai.2022), uma nota conjunta em defesa das eleições de 2022. A coalizão manifestou seu compromisso de manter a integridade do processo eleitoral, além de “conclamar as instituições políticas e de Estado a se juntarem, de forma assertiva, nessa nobre missão”.

Na nota, as 200 organizações que compõem o Pacto ressaltaram que o processo eleitoral brasileiro é referência em diversos outros países e conta com um sistema de verificação rigoroso. “Destaca-se ainda que o sistema eletrônico de votação é utilizado em mais de quarenta outras nações para a realização de diversos tipos de eleições. Nunca, na história de nosso país, esse sistema apresentou qualquer indício de problema que comprometa a sua confiabilidade”, afirma o documento.

Confira a nota na íntegra:

Manifesto em defesa das eleições

O Pacto pela Democracia, coalizão composta por 200 organizações da sociedade civil brasileira, vem a público manifestar o seu compromisso com a defesa da integridade do processo eleitoral e conclamar as instituições políticas e de Estado a se juntarem, de forma assertiva, nessa nobre missão. Em menos de cinco meses teremos eleições gerais no Brasil, as mais desafiadoras da nossa história recente, em função dos sistemáticos e infundados ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de seus apoiadores ao processo e às instituições eleitorais.

O processo eleitoral brasileiro é respeitado em todo o mundo e conta com um sistema de verificação atenta de observadores internacionais e nacionais, além do Ministério Público Eleitoral, sob a presidência dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Destaca-se ainda que o sistema eletrônico de votação é utilizado em mais de quarenta outras nações para a realização de diversos tipos de eleições. Nunca, na história de nosso país, esse sistema apresentou qualquer indício de problema que comprometa a sua confiabilidade. Em complemento, reconhecemos e saudamos os amplos esforços promovidos pelo TSE para dar ainda mais transparência e participação social ao processo preparatório das eleições.

Descredibilizar e enfraquecer o processo eleitoral interessa apenas àqueles que não têm compromisso com a expressão da vontade popular, definida através do voto, base do nosso sistema democrático. As declarações que sugerem a não realização do pleito eleitoral e a apuração paralela de votos por quaisquer outras entidades, que não aquelas ligadas à Justiça Eleitoral, extrapolam toda a normativa em vigor e são inadmissíveis em um Estado Democrático de Direito. A sugestão de que isso seja feito pelas Forças Armadas, parte da burocracia estatal, responsiva ao poder Executivo, cujas atribuições são alheias a este exercício cívico, representa uma grave ameaça à nossa democracia.

Repudiamos, por isto, com absoluta veemência, discursos antidemocráticos, que enaltecem ideias de cunho autoritário, assim como qualquer espécie de obstrução ao trabalho das instituições responsáveis pelo processo eleitoral. Quem defende o cerceamento da atuação de instituições democráticas, como o TSE e o STF, desrespeita a Constituição, o Estado Democrático de Direito e age na contramão dos interesses da sociedade.

Conclamamos o Congresso Nacional e o Ministério Público, em especial a Procuradoria-Geral da República, a se posicionarem em defesa da ordem jurídica e do regime democrático. Esse foi o compromisso assumido por cada parlamentar, promotor e procurador do Estado brasileiro quando de sua posse. Conclamamos também a imprensa e os mais diversos setores da sociedade civil a trabalharem pela realização de eleições livres, íntegras e pacíficas, com a garantia de que o resultado das urnas seja devidamente respeitado.

*Conteúdo original da Abraji

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