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Meditação mindfulness traz benefícios para quem sofreu um infarto, revela estudo

Técnica proporciona bem-estar e atenua o medo de práticas corporais

Frederico Cursino, da Agência Einstein

(Imagem ilustrativa/Freepik Premium)
(Imagem ilustrativa/Freepik Premium)

Meditar tem sido uma estratégia para pessoas que buscam sensação de relaxamento e tranquilidade, e os efeitos podem ultrapassar a questão mental e impactar diretamente na saúde física. De acordo com uma pesquisa apresentada no ESC Acute CardioVascular Care 2021, congresso científico online da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), um programa de meditação mindfulness (com consciência sobre pensamentos e sensações) de oito semanas melhora a qualidade de vida e reduz o medo de práticas corporais em pessoas que tiveram infarto.

“Um ataque cardíaco é um evento grave que pode oferecer risco de morte, e os sobreviventes, muitas vezes, sofrem de baixa qualidade de vida. Um dos motivos é o medo de movimento, chamado cinesiofobia, que limita as atividades diárias devido à preocupação de outro ataque cardíaco”, explica Canan Karadas, médica da Universidade de Hacettepe, na Turquia, e autora do estudo.

A investigação contou com a participação de 56 pacientes, com idade média de 55 anos e que tiveram um infarto. Eles foram separados aleatoriamente em dois grupos: o de atenção plena e o de controle. Esses últimos participaram de uma sessão educacional de 15 minutos sobre a estrutura e função do coração, artérias coronárias e doenças cardíacas. 

Por outro lado, os pacientes designados para a intervenção de atenção plena participaram de uma sessão individual que incluiu uma descrição de 15 minutos da técnica mindfulness. Em seguida, foi realizada uma prática supervisionada de 15 minutos, em que os pacientes se sentaram confortavelmente em uma cadeira, com costas retas e olhos fechados. Eles foram orientados a respirar profundamente — inspirando pelo nariz e expirando pela boca usando o diafragma — e a se concentrar na respiração e no momento presente.

Esses participantes receberam instruções via aplicativo de troca de mensagens e passaram a fazer a sessão de 15 minutos todos os dias em casa, em uma sala silenciosa. Diariamente, eles recebiam lembretes motivacionais para a prática da meditação e para avaliação da compatibilidade com o protocolo da pesquisa.

Durante o estudo, os pesquisadores avaliaram a fadiga e qualidade de vida no início e nas semanas quatro, oito e 12, com base na Escala de Fadiga de Piper, nos questionários Tampa Scale for Kinesiophobia Heart e MacNew Heart Disease Health-Related Quality of Life. Este último analisa os sentimentos dos pacientes em relação ao efeito da condição cardíaca nas funções diárias nas áreas física, emocional e social.

Os resultados apontam que, no início do estudo, não houve distinção nas três variáveis ​​entre os grupos de intervenção e o de controle. Já na quarta semana, os pacientes do grupo de atenção plena tiveram menos medo de movimentos. Essa constatação foi observada também nas semanas oito e 12. Esses pacientes apresentaram melhor qualidade de vida geral nas três áreas observadas do que aqueles do grupo de controle na semana oito — na semana 12 eles continuaram a relatar melhor função emocional. Não foi identificada nenhuma variação no nível de fadiga entre as duas categorias durante a pesquisa.

“Nosso estudo mostra que a atenção plena pode reduzir o medo do movimento e melhorar a qualidade de vida em sobreviventes de ataque cardíaco. Uma explicação pode ser que a meditação substitui o pensamento catastrófico por pensamentos positivos, fazendo com que os pacientes se sintam menos vulneráveis emocional e fisicamente. As descobertas sugerem que a atenção plena pode ser considerada na reabilitação após um ataque cardíaco”, conclui Karadas.

(Fonte: Agência Einstein)

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