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Coronavírus: não há motivo para pânico

*Por Paula V. Carnevale Vianna, mestre em Infectologia, doutora em Medicina Preventiva e coordenadora do curso de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi em São José dos Campos

Paula V. Carnevale Vianna

No Brasil, a identificação e acompanhamento de casos suspeitos de coronavírus nCoV-2019 significa que o SUS (Sistema Único de Saúde) está realizando sua função de vigilância e controle sanitário. Apenas três casos foram confirmados até o momento. As autoridades sanitárias, nos portos e aeroportos; os médicos e equipes de saúde, nos hospitais, unidades básicas de saúde, consultórios e clínicas; e o serviço de vigilância epidemiológica, estão atentos, informados e se comunicando para adotar os protocolos adequados de prevenção e cuidado. Uma combinação de três fatores – o fato de a China ser o país mais populoso do mundo, a mobilidade populacional característica do mundo globalizado e a alta infectividade – fazem o vírus circular pelo mundo muito rápido. Esses poucos casos identificados no país não são alarmantes. A maior parte das infecções deve ser branda. Nossa sugestão? Mantenha-se informado, consultando fontes seguras de informação, adote os cuidados básicos de higiene e prevenção e fique tranquilo. O alerta, até o momento, é para os serviços de saúde e de monitoramento e vigilância, pois a melhor forma de conter uma epidemia é identifica-la logo no início.

O que é o coronavírus?

Este é o nome de uma família de vírus, identificada e conhecida desde a década de 1960. Diversos tipos de vírus ou cepas da família coronavírus são encontradas na natureza, em reservatórios vegetais ou animais e algumas infectam seres humanos. A transmissão entre humanos se dá de pessoa para pessoa, durante o período sintomático. O quadro clínico mais comum provocado pelos coronavírus são infecções respiratórias, em geral, leves e autolimitadas, ou seja, resolvem-se espontaneamente. Manifestam-se como um resfriado comum – a pessoa apresenta febre baixa e se queixa de coriza, mal-estar, dor de garganta e tosse. Muitos de nós já tivemos contato com vírus dessa família, sem qualquer repercussão mais grave. Os vírus, no entanto, podem sofrer mutações e provocar quadros de maior gravidade. Foi o que aconteceu em 2002, com a associação de uma nova cepa de coronavírus à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). Mais de 8 mil pessoas foram identificadas nos cinco continentes do mundo (o que caracteriza uma pandemia) e cerca de 800 pessoas morreram. Em 2012, outro novo coronavírus foi isolado e associado a um surto de síndrome respiratória aguda na Arábia Saudita. A epidemia ficou limitada ao Oriente Médio e por essa razão ficou conhecida como MERS, sigla em inglês para Síndrome Respiratória do Oriente Médio. Em dezembro de 2019, uma nova cepa foi identificada em Wuhan, na China, e associada a quadros respiratórios de maior gravidade. As pessoas com maior risco para apresentarem a forma grave da doença são os homens com mais de 60 anos, tabagistas e que apresentem também outras doenças, como hipertensão e doenças respiratórias.

As pessoas que foram para um dos países com grande circulação do vírus, entre eles, a China e a Itália, ou tiveram contato com pessoas com doença confirmada por Coronavírus devem ficar atentas para o aparecimento de sintomas (febre, coriza, dor de garganta, tosse, mal-estar). Se isso ocorrer devem procurar serviço médico e informar o histórico de viagem e contato.

É importante atentar para o fato de que, além de não se alarmar, a população deve adotar as recomendações de prevenção para todas as infecções respiratórias virais:

  • lavar sempre as mãos com água e sabão e evitar levar as mãos ao rosto e, principalmente, à boca;
  • ter um frasco com álcool-gel para garantir que as mãos sempre estejam esterilizadas;
  • manter hábitos saudáveis, alimentar-se bem e beber bastante água;
  • não compartilhar utensílios de uso pessoal, como toalhas, copos, talheres e travesseiros;
  • evitar frequentar locais fechados ou com muitas pessoas.

*A especialista está disponível para entrevistas sobre o tema, bem como outras doenças infecciosas.

Colaborador*

Este canal é escrito por colaboradores diversos da Folha Geral. Cada conteúdo é de inteira responsabilidade do seu autor.

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